Companhias do setor de infraestrutura acompanham de perto o prazo para que o consórcio liderado pelo grupo Azevedo e Travassos, vencedor do leilão da Rota Mogiana, apresente as garantias financeiras exigidas pelo governo de São Paulo.
O edital estabelece que a documentação deve ser entregue até 29 de maio, mas empresas ouvidas preveem que o consórcio solicitará uma prorrogação de 60 dias, prerrogativa prevista nas regras do certame, sujeita à aprovação estadual.
Se o adiamento for concedido, a atual concessionária Renovias poderá permanecer operando o trecho rodoviário além de 1º de julho, data de término do contrato vigente.
Procurado, o grupo Azevedo e Travassos preferiu não comentar e orientou que o assunto fosse encaminhado à Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI).
Já a Renovias informou não ter recebido comunicação oficial sobre eventual extensão e encaminhou questionamentos à SPI e à Artesp, que não respondeu até a última terça-feira (28).
Em nota, a SPI afirmou que a concessão ainda está na fase de cumprimento de condições prévias à assinatura do contrato e que, até o momento, não houve pedido formal de prorrogação. Qualquer ajuste com a Renovias, segundo a secretaria, será acompanhado pela Artesp.
Realizado em fevereiro de 2026 na B3, o leilão foi arrematado por outorga fixa de R$ 1,084 bilhão. A proposta superou as apresentadas por MC Brazil Concessões (ligada ao fundo Mubadala), EPR Participações e Motiva.
O futuro contrato prevê R$ 9,4 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos para modernizar 520 km de rodovias no interior paulista.
Antes da assinatura, o consórcio precisa comprovar a primeira capitalização e apresentar performance bonds, seguros que cobrem eventual inadimplência das obrigações. Especialistas apontam que a prorrogação de 60 dias costuma ser aceita pelo poder público, mas há correntes dentro do governo que defendem alternativas caso o prazo extra seja solicitado, o que poderia abrir espaço para disputas judiciais.