São Paulo – Responsável por cerca de 40% do mercado brasileiro de eletroportáteis, o Grupo MK, dono das marcas Mondial e Aiwa, não pretende abrir capital nem mudar o foco de atuação. Em entrevista, o presidente Giovanni Martins Cardoso afirmou que a companhia continuará crescendo de forma orgânica e criticou o impacto das apostas online sobre o poder de compra das famílias.
A Mondial já comercializa produtos nos Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Paraguai e Guatemala. Hoje, essas operações respondem por 2% da receita. “Queremos elevar para algo entre 4% e 5%”, disse Cardoso.
Na Argentina, o executivo avalia que o governo Javier Milei simplificou pagamentos ao eliminar a intermediação do Banco Central. A empresa montou uma filial no país para acelerar entregas e planeja figurar entre as três principais marcas argentinas até 2027.
Segundo o CEO, televisores e linha branca são os segmentos mais disputados por indústrias coreanas e chinesas, atraídas por margens maiores. Já os eletroportáteis seriam menos visados por apresentarem menor valor agregado e logística mais custosa.
Cardoso acrescentou que conflitos internacionais afetam custos, citando a dependência de resinas plásticas precificadas em dólar. Ele comparou o juro anual de 1% na China aos 18% pagos no Brasil, classificando empresários locais como “heróis”.
O executivo estima que apostas esportivas movimentem R$ 400 bilhões por ano no país, valor que, segundo ele, reduz recursos disponíveis para consumo. “Todo o mercado de eletrodomésticos gira R$ 180 bilhões, menos da metade das ‘bets’”, afirmou. Para Cardoso, o resultado é maior endividamento familiar.
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A Mondial continuará direcionada à base da pirâmide, oferecendo itens “bons, baratos e competitivos”. O grupo fatura cerca de R$ 7 bilhões anuais. Entre os lançamentos previstos está um eletroportátil equipado com motor sem escovas e corrente contínua, que utiliza ímãs permanentes e terras raras. Desenvolvido ao longo de três anos, o componente teve custo reduzido de cinco para duas vezes o de um motor convencional, tornando-se comercialmente viável.
Cardoso descarta adquirir concorrentes, alegando riscos de “esqueletos no armário”, e reitera que um IPO “não faz parte da estratégia”. O objetivo, pontua, é ampliar a participação de mercado gradualmente, mantendo o controle familiar da operação.
Fundador da Mondial em 2000, Giovanni Martins Cardoso é paranaense de Palmas e engenheiro elétrico formado pelo Mackenzie. Além de dirigir a companhia, integra a equipe master de remo do Corinthians.