Petróleo volta a ficar abaixo de US$ 100 com expectativa de trégua entre Irã e EUA

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro19 horas atrás12 Visualizações

O preço do petróleo iniciou a semana em queda expressiva. No primeiro negócio eletrônico desta segunda-feira (24), o Brent, referência global, era cotado a US$ 99 o barril, recuo de 5% em relação ao fechamento de sexta-feira. O WTI, referência nos Estados Unidos, caiu na mesma proporção, para US$ 92. É o menor nível para ambos os contratos desde 7 de maio.

O que está por trás da correção

O movimento reflete a expectativa de um acordo entre Irã e Estados Unidos que, segundo relatos da agência iraniana Tasnim, pode levar ao fim do bloqueio naval no estreito de Hormuz em até 30 dias. Embora o presidente americano Donald Trump tenha dito que o bloqueio “continuará em força total até que um acordo seja assinado”, o mercado enxergou avanço nas negociações.

Hormuz é o principal corredor marítimo para o petróleo produzido no Golfo Pérsico. Qualquer sinal de normalização tende a aliviar temores de oferta restrita e, consequentemente, os preços.

Leitura dos analistas

Para Saul Kavonic, da MST Marquee, “há alguma luz no fim do túnel”, ainda que a plena retomada dos embarques e o reparo de instalações danificadas possam levar meses. A percepção imediata, porém, foi suficiente para derrubar as cotações.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Impacto macroeconômico

  • Inflação: petróleo mais barato costuma reduzir o custo de combustíveis e frear pressões inflacionárias. No Brasil, isso pode se refletir nos preços da gasolina e do diesel, itens relevantes no IPCA.
  • Juros: menor inflação abre espaço, em teoria, para que o Banco Central mantenha ou até acelere cortes na Selic ao longo do ano, caso não surjam novos choques externos.
  • Dólar: preços de energia mais baixos diminuem a necessidade global de dólares para importação de petróleo, o que tende a aliviar a moeda americana — fator que também influencia a inflação doméstica.

Efeito sobre diferentes classes de ativos

  • Ações de petroleiras: empresas exportadoras podem sentir pressão de receita se a curva de preços se mantiver em queda. É comum observar volatilidade elevada nesses papéis em dias de fortes movimentos do barril.
  • Companhias aéreas e de logística: tendem a se beneficiar de custos de combustível menores, o que, na prática, amplia margens ou permite repasses de descontos aos consumidores.
  • Tesouro Direto e renda fixa: um cenário de inflação mais baixa reforça a atratividade dos títulos prefixados, que se beneficiam quando o mercado passa a projetar quedas na Selic.
  • Criptomoedas: apesar de não haver correlação direta, menor aversão ao risco no mercado de commodities costuma aumentar a busca por ativos alternativos. Ainda assim, os movimentos no segmento cripto permanecem mais influenciados por fatores próprios de liquidez e regulação.

O que observar a seguir

  • Confirmação ou não da assinatura do pacto entre Washington e Teerã.
  • Evolução do bloqueio no estreito de Hormuz e tempo efetivo para retomada dos embarques.
  • Reação da Opep+ a um eventual aumento de oferta no curto prazo.
  • Dados inflacionários de maio e as próximas decisões do Banco Central sobre a Selic.

Por ora, o alívio no barril oferece uma trégua para investidores preocupados com pressões de custo em escala global. A atenção do mercado continua voltada às negociações diplomáticas e à velocidade com que o fluxo de petróleo será normalizado.

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