São Paulo – O segmento de galpões logísticos no Brasil continua em ritmo de crescimento e, por ora, não mostra sinais de saturação, afirmou Fernando Didziakas, sócio-fundador e diretor da consultoria Buildings, durante participação no programa Liga de FIIs, do InfoMoney.
De acordo com o executivo, o principal motor da atividade é a demanda constante de grandes empresas de comércio eletrônico, que já planejam novas fases de expansão. “Quando conversamos com esses tomadores, sobretudo os gigantes do e-commerce, não há qualquer indício de freio; na verdade, eles projetam os próximos ciclos de crescimento”, declarou.
Didziakas destacou que o ciclo de construção de um condomínio logístico leva, em média, seis meses, o que permite ajustar rapidamente a oferta à procura. Esse intervalo mais curto, explicou, difere de outros segmentos imobiliários, como o corporativo, cujo desenvolvimento exige prazos maiores e pode gerar sobreoferta em momentos de retração econômica.
Comparado a outros mercados, o Brasil dispõe de um estoque logístico considerado pequeno. “O volume nacional corresponde a uma fração do existente nos Estados Unidos e, mesmo em relação ao México, há espaço para multiplicar de tamanho”, observou.
Mais da metade dos galpões em operação no país é classificada como de alto padrão, resultado de uma onda de construções concentrada na última década. Segundo o diretor da Buildings, contudo, instalações de padrão mais simples, localizadas dentro dos centros urbanos, continuam muito procuradas para operações de last mile, etapa final de entrega ao consumidor.
Imagem: infomoney.com.br
Diante da combinação de demanda estrutural, avanço do comércio eletrônico e velocidade de resposta da oferta, Didziakas vê baixo risco de excesso de espaços no curto prazo. “Não enxergo superoferta; o volume construído acompanha muito bem a demanda”, concluiu.
O programa Liga de FIIs vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no YouTube.