Durigan atribui juros altos à pressão inflacionária externa e rebate críticas sobre estímulo fiscal

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Brasília — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (4) que a política fiscal do governo Luiz Inácio Lula da Silva não é responsável pelos juros elevados e defendeu a ampliação de programas como o Desenrola, além de subsídios setoriais voltados a distorções pontuais da economia.

Em participação no programa Roda Viva, Durigan declarou que “o fiscal não é a razão dos juros altos”, lembrando que o Banco Central reduziu a Selic em 2023, mesmo com um déficit primário superior ao projetado para 2024 e 2025. Segundo ele, houve “melhora gradual” das contas públicas, ainda que o saldo tenha permanecido negativo.

O ministro atribuiu a dificuldade para cortes mais agressivos da taxa básica à inflação gerada pela guerra no Irã. “Não podemos ser sócios da guerra”, afirmou, defendendo que decisões de política fiscal não devem depender do conflito.

Programas e ajustes no Desenrola

Durigan espera que a segunda fase do Desenrola, voltada à renegociação de dívidas, produza efeito combinado com a queda dos juros, replicando o resultado observado após o lançamento do programa em 2023. Ele disse que a escalada da Selic em meados de 2024 contribuiu para o novo avanço da inadimplência.

Entre as mudanças na plataforma, o ministro destacou o acesso facilitado, a autorização para que bancos contatem diretamente os devedores e o bloqueio de gastos com casas de apostas após a adesão.

Dívida, gastos e desafios fiscais

Durigan reconheceu não haver “bala de prata” para controlar as despesas públicas, mas ressaltou a necessidade de políticas que evitem o retorno da população ao mapa da fome. De acordo com ele, parte do aumento da dívida federal decorre dos juros elevados.

O ministro calculou em 2% do PIB o esforço recente para impedir o “congelamento” da economia e citou ações específicas, como socorro às áreas afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul e medidas para mitigar impactos de barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump.

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Imagem: redir.folha.com.br

BRB, Banco Master e Correios

Ao comentar o caso Master, Durigan classificou a situação como grave e atribuiu a responsabilidade principal à gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que autorizou as operações da instituição entre 2019 e 2024.

Sobre o BRB, o ministro disse que a crise resultou de “operações que quebraram o banco” e que a responsabilidade pertence ao governo do Distrito Federal. O Tesouro, afirmou, só intervirá se o Banco Central apontar risco sistêmico.

Em relação aos Correios, Durigan estimou que o déficit possa atingir R$ 10 bilhões neste ano e defendeu buscar alternativas, como joint ventures ou parcerias com a iniciativa privada, para equilibrar as contas da estatal.

Agenda no Congresso

Durigan também manifestou o desejo de que questionamentos ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal não contaminem a pauta econômica no Legislativo. Segundo ele, o compromisso da equipe econômica é evitar “pautas-bombas” que prejudiquem o equilíbrio fiscal.

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