Gestora Charles River recomenda reprovação das contas de 2025 da Tupy e questiona controle por BNDESPar e Previ

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São Paulo – A gestora norte-americana Charles River, detentora de 5,4% das ações da Tupy, pediu a rejeição das demonstrações financeiras de 2025 da fabricante de autopeças e acusou a administração de descumprir deveres fiduciários.

Em documento enviado à companhia e obtido pela reportagem, o fundo afirma que o ano foi marcado por “indícios de infração a deveres fiduciários” e que BNDESPar (30,7% do capital) e Previ (27%) atuaram de forma coordenada, exercendo “o efetivo controle” da empresa. Juntas, as duas instituições somam 57,7% das ações.

Disputa sobre controle e conselho fiscal

O principal foco de insatisfação da Charles River é a negativa da Tupy em realizar eleição em separado para o conselho fiscal, mecanismo que permitiria aos minoritários indicar um representante. A gestora alega quebra de direito previsto na Lei das Sociedades por Ações quando há grupo controlador definido.

“Na prática, a Tupy é controlada por BNDESPar e Previ, e essa administração nega aos minoritários o direito de fiscalização”, disse Camilo Marcantonio, sócio-fundador da gestora.

A companhia argumenta que, desde 1º de janeiro de 2023, quando foi encerrado o acordo de acionistas entre BNDESPar e Previ, não possui controlador e, portanto, não se aplica a eleição em separado. O BNDES declarou que “a ilação não procede”. A Previ não se manifestou.

Críticas à sucessão de executivos

Entre os apontamentos, a Charles River cita “indício de infração ao dever de diligência” e “indício de infração ao dever de sigilo” na escolha de Rafael Lucchesi para a presidência-executiva. Segundo o fundo, BNDESPar teria recebido informação privilegiada sobre a saída de Fernando Cestari de Rizzo e indicado Lucchesi antes de a sucessão se tornar pública. O executivo renunciou em março, menos de um ano após assumir o cargo.

A gestora também questiona a experiência de Lucchesi no setor e afirma que a sucessão foi conduzida “de forma apressada”.

Gestora Charles River recomenda reprovação das contas de 2025 da Tupy e questiona controle por BNDESPar e Previ - Imagem do artigo original

Imagem: redir.folha.com.br

Trocas no conselho e falta de informação

O fundo aponta ainda “indícios de infração ao dever de lealdade” por conta de sucessivas renúncias de conselheiros e diretores, substituídos por perfis considerados inadequados para uma companhia de capital aberto. Entre eles, citou as indicações, pela BNDESPar, dos então ministros Anielle Franco (Igualdade Racial) e Carlos Lupi (Previdência), que deixaram o conselho em 2025 ao término dos mandatos.

Sobre o “dever de informar”, a Charles River cobra que a empresa explicite a relação de coligação entre BNDESPar e Previ.

Prejuízo de 2025 e próximos passos

Na mesma assembleia em que o fundo apresentou suas críticas, a Tupy revisou o prejuízo líquido de 2025 para R$ 656,8 milhões. O valor será absorvido pelas reservas de lucros, sem distribuição de dividendos.

A gestora afirma esperar que a escolha do novo presidente-executivo seja conduzida com “a diligência que o tamanho e a relevância da empresa exigem”.

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