O salto de 10,4% do S&P 500 em abril – equivalente a 5,0% em reais – reacendeu o apetite por recibos de ações estrangeiras negociados na B3. No mesmo período, o índice BDRX subiu 7,8%, embora ainda acumule queda de 4,4% no ano devido à valorização do real frente ao dólar, movimento que, segundo gestores, abre espaço para ampliar a exposição à moeda norte-americana.
BTG Pactual e XP Investimentos mantêm visão otimista para o mercado dos Estados Unidos. O BTG destaca que as chamadas “Sete Magníficas” registraram o sexto trimestre consecutivo de crescimento de lucro de dois dígitos, enquanto a relação preço/lucro do S&P 500 permanece na média dos últimos cinco anos. A XP, por sua vez, reforçou posições em grandes empresas de tecnologia durante a correção recente, avaliando que Nvidia negocia a múltiplos próximos aos do índice e que Alphabet está bem posicionada em inteligência artificial. Já o setor bancário foi reduzido pela corretora diante das incertezas no crédito privado.
Entre as carteiras monitoradas por Itaú BBA, Ágora/Bradesco, XP Investimentos, Empíricus Research, Terra Investimentos, Santander Brasil, Genial Investimentos e BTG Pactual, nove recibos concentram as preferências. Veja o número de recomendações e o desempenho em abril:
TSMC – A fabricante de semicondutores concluiu a migração para produção em massa na tecnologia de 5 nm e já pesquisa processos de 3 nm e 2 nm, que elevam a eficiência energética dos chips. Segundo a XP Investimentos, o papel negocia 27,3% abaixo do preço-alvo médio do mercado.
Apple – Para o BTG Pactual, o crescimento da base instalada, a expansão dos serviços e a evolução de wearables, como o Apple Watch, devem compensar eventuais pressões sobre a divisão de hardware. O banco segue confiante nas parcerias da companhia em inteligência artificial.
Amazon – O Santander Brasil lembra que a empresa não se limita ao varejo on-line, onde detém 38% do mercado norte-americano. Streaming e, principalmente, computação em nuvem – segmento em que é líder – reforçam o potencial de crescimento. No primeiro trimestre, a receita atingiu US$ 181,5 bilhões, alta de 17% em relação a 2023.
Coca-Cola – A gigante de bebidas reportou receita de US$ 12,5 bilhões no primeiro trimestre, avanço anual de 11% e acima das projeções. O Santander destaca margens em expansão, força da Coca-Zero e oportunidade de ganho de participação em mercados emergentes.
Microsoft – A Empíricus Research observa que os temores de obsolescência do software tradicional diante da IA (“SAASpocalipse”) e o aumento dos investimentos em capacidade de processamento pressionaram as ações no início do ano. Mesmo após parte da recuperação em abril, o múltiplo preço/lucro segue no piso dos últimos cinco anos, o que aponta momento atrativo de entrada, segundo a casa.
Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
Micron – O BTG Pactual aposta em um ciclo favorável de memórias, impulsionado por demanda acima da oferta. Os preços do produto já multiplicaram por seis em menos de cinco meses, enquanto a memória HBM, utilizada em aplicações de IA, vale cerca de três vezes mais do que a tradicional.
Nvidia – A companhia divulgou receita de US$ 68,1 bilhões no quarto trimestre fiscal encerrado em janeiro, 73% superior à de um ano antes, e projeta US$ 85 bilhões para o trimestre atual. O Santander cita a continuidade do avanço da IA, a adoção dos chips Blackwell Ultra, novas parcerias e a futura arquitetura Rubin, prevista para o segundo semestre de 2026.
Alphabet – Na avaliação do BTG, o Google Search mantém cerca de 90% do mercado global de buscas, enquanto a empresa amplia ferramentas de IA em seus produtos, fortalece o YouTube no streaming e expande a plataforma de nuvem Google Cloud.
Meta – De acordo com a Empíricus, a companhia vem sendo penalizada por dúvidas sobre sua capacidade computacional, mas continua a apresentar forte crescimento de receita e lucro. A queda após a divulgação do balanço do primeiro trimestre abriu, na visão da gestora, ponto de entrada atrativo.
Com a retomada das bolsas norte-americanas e o recuo do dólar, analistas veem espaço para o investidor brasileiro reforçar a carteira internacional por meio de BDRs, tendo tecnologia como foco principal e a tradicional Coca-Cola como exceção no grupo das mais indicadas.