Um vídeo difundido recentemente no Instagram afirma que a Receita Federal utiliza Inteligência Artificial (IA) para rastrear publicações de viagens e bens de luxo, relacionando essas imagens às declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e, assim, selecionar contribuintes para a malha fina. O órgão tributário desmentiu a informação.
Na gravação, o influenciador responsável pelo perfil @o.lobooficial diz que o “algoritmo do Leão” geraria alertas quando o estilo de vida exposto nas redes não corresponder ao patrimônio declarado. Segundo ele, fotos de “restaurante caro, relógio importado, carro de luxo” passariam por análise automatizada, levando o usuário a prestar esclarecimentos ao Fisco.
Em nota, a Receita Federal esclareceu que não faz monitoramento automático ou indiscriminado de redes sociais e que publicações pessoais, como fotos de viagens, não integram os critérios de seleção para a malha fiscal.
De acordo com o órgão, o cruzamento de dados ocorre exclusivamente com informações oficiais já declaradas por contribuintes e terceiros, como:
A Receita destacou que seus sistemas de IA apoiam a organização dessas informações para reduzir erros, mas nenhuma decisão é tomada de forma automática. “A tecnologia é usada para aprimorar a eficiência, não para criar novas fontes de vigilância”, informou o comunicado.
Imagem: Gettyimages via valorinveste.globo.com
Para viagens internacionais, o órgão reiterou que redes sociais não são critério de seleção. A fiscalização é baseada em elementos objetivos, como:
A Receita também desmentiu boatos recentes sobre suposto acesso a registros de check-in de hotéis ou monitoramento de transações individuais, inclusive via Pix. Conforme o órgão, são recebidos apenas dados consolidados de instituições financeiras, em conformidade com a legislação.
O Fisco reforçou que a inclusão de contribuintes na malha fina continua respaldada por documentos oficiais e declarações formais, sem utilização de postagens em redes sociais como parâmetro.