O crédito rating Moody’s ouviu grandes bancos e intermediários de mercado dos Estados Unidos e constatou um consenso: a transformação digital por meio da tokenização de ativos começará de forma gradual, mas deve atingir um ponto de inflexão em que a adoção se acelera rapidamente.
Tokenizar um ativo significa transformá-lo em um registro digital único em uma blockchain. Diferentemente de negociar apenas criptomoedas, o processo permite que títulos, fundos ou até imóveis tenham suas “cotas” representadas digitalmente, com liquidação quase instantânea e rastreabilidade pública.
Para instituições tradicionais, isso pode reduzir custos operacionais, diminuir riscos de contraparte e encurtar prazos de liquidação – pontos que, no sistema atual, ainda geram despesas relevantes.
Embora projeções desse tipo sejam vistas com cautela por analistas, elas ajudam a explicar por que bancos globais montam times dedicados a ativos digitais.
Quase todos os grandes bancos entrevistados pela Moody’s criaram unidades de inovação ou equipes exclusivas para ativos digitais. Entre os exemplos citados, o Morgan Stanley nomeou a executiva Amy Oldenburg para comandar uma nova divisão de cripto logo após anunciar planos de lançar ETFs e até uma carteira digital própria.
Em relatório separado, a Moody’s delineou cenários:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Ainda que o estudo trate de bancos norte-americanos, o movimento tende a influenciar reguladores e instituições no mundo todo. No Brasil, onde o Banco Central testa o Drex (versão digital do real), a experiência dos EUA pode acelerar lançamentos locais de fundos ou títulos tokenizados.
Para quem investe, a principal mudança deve vir na forma de acesso: cotas de fundos, notas de renda fixa ou até participações em imóveis podem chegar à carteira em versões fracionadas e liquidadas quase em tempo real. Taxas mais baixas e transações 24/7 são benefícios frequentemente citados, mas questões de governança, segurança e regulação continuam no radar.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece que a tokenização pode retirar atritos e aumentar a transparência, mas alerta para potenciais riscos à estabilidade financeira se a tecnologia crescer sem arcabouço regulatório sólido. Nos EUA, incertezas jurídicas ainda são apontadas pela Moody’s como um dos obstáculos ao avanço mais rápido.
Enquanto o ponto de inflexão não chega, bancos preferem investir desde já para não serem pegos de surpresa. Para o investidor iniciante, vale acompanhar como as autoridades locais vão tratar a custódia, a tributação e a proteção ao consumidor nesse novo formato de ativos.
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