Wall Street encerrou a sexta-feira (15) em forte baixa. A falta de avanço na cúpula entre Estados Unidos e China, somada ao prolongamento da crise no Oriente Médio, elevou a aversão ao risco e puxou os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) para o nível mais alto desde abril de 2025.
Durante a reunião em Washington, o presidente norte-americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping divulgaram versões conflitantes sobre a discussão de tarifas. Enquanto Trump afirmou que o tema não foi abordado, o chanceler chinês Wang Yi disse ter havido acordo para ampliar o comércio com redução tarifária recíproca.
No Oriente Médio, a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz — rota crucial para o transporte de petróleo — aumentou a percepção de risco. O ministro iraniano Abbas Araqchi disse não confiar nos EUA e classificou as negociações como “muito complicadas”.
Os Treasuries de 10 anos dispararam, alcançando a maior rentabilidade desde o “Liberation Day” de 2025, quando tarifas comerciais foram anunciadas. Títulos do Tesouro servem como referência de taxa livre de risco nos EUA: quando seu rendimento sobe, aplicações de maior risco, como ações, tendem a perder atratividade.
Um yield maior também encarece o custo de financiamento das empresas e pressiona as avaliações de companhias de crescimento, como as de tecnologia.
Imagem: Anna Scabello
Com o risco de interrupções no abastecimento pelo Estreito de Ormuz e sinais de impaciência de Trump com o Irã, o contrato Brent para julho avançou mais de 3%, fechando perto de US$ 110 o barril. Preços de energia mais altos tendem a pressionar a inflação global — ponto de atenção para bancos centrais.
Em um ambiente de incerteza geopolítica e inflação persistente, o mercado permanecerá atento às próximas sinalizações de Washington, Pequim e Teerã, além das futuras decisões do Federal Reserve sobre juros.
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