Wall Street cede mais de 1% com impasse EUA-China, tensão no Oriente Médio e salto nos Treasuries

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAçõesagora mesmo6 Visualizações

Wall Street encerrou a sexta-feira (15) em forte baixa. A falta de avanço na cúpula entre Estados Unidos e China, somada ao prolongamento da crise no Oriente Médio, elevou a aversão ao risco e puxou os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) para o nível mais alto desde abril de 2025.

Como fecharam os principais índices

  • Dow Jones: −1,07%, aos 49.526,11 pontos
  • S&P 500: −1,24%, aos 7.408,50 pontos
  • Nasdaq: −1,54%, aos 26.225,14 pontos

Impasses que pesaram no humor

Durante a reunião em Washington, o presidente norte-americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping divulgaram versões conflitantes sobre a discussão de tarifas. Enquanto Trump afirmou que o tema não foi abordado, o chanceler chinês Wang Yi disse ter havido acordo para ampliar o comércio com redução tarifária recíproca.

No Oriente Médio, a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz — rota crucial para o transporte de petróleo — aumentou a percepção de risco. O ministro iraniano Abbas Araqchi disse não confiar nos EUA e classificou as negociações como “muito complicadas”.

Rendimentos dos Treasuries em alta: por que isso importa

Os Treasuries de 10 anos dispararam, alcançando a maior rentabilidade desde o “Liberation Day” de 2025, quando tarifas comerciais foram anunciadas. Títulos do Tesouro servem como referência de taxa livre de risco nos EUA: quando seu rendimento sobe, aplicações de maior risco, como ações, tendem a perder atratividade.

Um yield maior também encarece o custo de financiamento das empresas e pressiona as avaliações de companhias de crescimento, como as de tecnologia.

Tecnologia devolve parte dos ganhos

  • Intel: −5%
  • Advanced Micro Devices (AMD): −3%
  • Micron Technology: −4%
  • Nvidia: −2%
  • Cerebras: −4% (após estreia com alta de 68% na véspera)
  • Microsoft: +3% após o fundo Pershing Square revelar posição na empresa

Petróleo volta a tocar US$ 110

Com o risco de interrupções no abastecimento pelo Estreito de Ormuz e sinais de impaciência de Trump com o Irã, o contrato Brent para julho avançou mais de 3%, fechando perto de US$ 110 o barril. Preços de energia mais altos tendem a pressionar a inflação global — ponto de atenção para bancos centrais.

O que o investidor brasileiro deve acompanhar

  • Dólar e risco: manchetes do dia indicaram o dólar acima de R$ 5,00, reflexo da busca por segurança em ativos americanos.
  • Juros locais: rendimentos maiores nos EUA podem limitar quedas adicionais da Selic, pois parte do capital estrangeiro migra para Treasuries.
  • Bolsa brasileira: pressões externas costumam impactar BDRs de tecnologia e ações ligadas a commodities, especialmente petróleo.
  • Renda fixa: quem investe em Tesouro Direto pode ver oscilações nos preços dos títulos, principalmente nos de prazo longo, que reagem ao cenário global de juros.

Em um ambiente de incerteza geopolítica e inflação persistente, o mercado permanecerá atento às próximas sinalizações de Washington, Pequim e Teerã, além das futuras decisões do Federal Reserve sobre juros.

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