Os balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26) de Cyrela (CYRE3), Gafisa (GFSA3), Helbor (HBOR3) e Even (EVEN3) ficaram aquém do consenso de mercado, segundo análise de Caio Araujo, da Empiricus Research. A leitura é que o patamar ainda elevado dos juros — com a Selic em dois dígitos desde 2023 — continua pressionando demanda, custos de financiamento e margens das incorporadoras.
Mesmo com cortes graduais na taxa básica ao longo de 2025, o crédito imobiliário segue caro. Para o investidor, isso significa menor velocidade de vendas (o chamado VSO) e risco de estoques mais altos, fatores que costumam limitar a geração de caixa das companhias e, por consequência, dividem a atenção entre ações do setor e alternativas de renda fixa atreladas ao CDI.
De acordo com Araujo, a lacuna entre o custo do financiamento e a renda do comprador de médio e alto padrão gera renegociações de preços, alonga prazos de entrega e comprime margens. Esse cenário ajuda a explicar por que as quatro construtoras focadas nesses nichos decepcionaram.
Já as empresas voltadas à baixa renda vêm se beneficiando dos ajustes no Minha Casa Minha Vida, que ampliaram subsídios e tetos de financiamento. Araujo destacou que Direcional (DIRR3) apresentou números em linha com as projeções, enquanto Moura Dubeux (MDNE3) também se manteve resiliente. O programa federal atua como amortecedor em meio ao ambiente macro mais apertado.
Imagem: Cecília de O
Embora o setor imobiliário brasileiro apresente bolsões de resiliência — principalmente no segmento popular amparado por programas públicos —, os resultados abaixo do consenso de Cyrela, Gafisa, Helbor e Even reforçam que juros elevados e demanda enfraquecida ainda delineiam um ambiente desafiador para boa parte das construtoras listadas na B3.
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