Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem segurar o projeto que define as alíquotas do novo Imposto Seletivo (IS) — apelidado de “Imposto do Pecado” — até depois das eleições municipais. A avaliação política é evitar que a oposição transforme o tema em munição de campanha, sobretudo após críticas públicas do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Planalto em 2026.
A ala política teme que a discussão das alíquotas em pleno ano eleitoral tire votos de candidatos aliados. A Secom e parte da base defendem postergar o envio do texto; técnicos do Ministério da Fazenda preferem cumprir o cronograma original, lembrando que qualquer tributo novo precisa respeitar a “noventena” — intervalo mínimo de 90 dias entre a publicação da lei e o início da cobrança.
Empresas desses segmentos — de fabricantes de refrigerantes a mineradoras listadas na Bolsa — acompanham de perto a discussão, pois alterações de imposto podem afetar margens, repasse de preços e, por consequência, fluxo de caixa e dividendos.
Se o IS não for regulamentado a tempo, o IPI sobre diversos itens cairá a zero em 2027. Para manter a receita total estável, o governo poderia ter de elevar a futura alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que incidirá sobre praticamente toda a cadeia de consumo. Isso significaria “dividir a conta” com setores que hoje não pagam IPI, como vestuário, energia elétrica e serviços em geral — cenário que a oposição já explora politicamente.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Para quem investe, o ponto central é acompanhar o calendário legislativo: quanto mais o debate se alongar, maior o risco de ajustes de última hora que alterem projeções de receita de empresas e o desenho final da CBS.
Por ora, o Ministério da Fazenda informa que o texto técnico está pronto, mas passa por “ajustes finais” antes de seguir para a Casa Civil. Até lá, o mercado deve seguir atento ao calendário político, às declarações de líderes do Congresso e aos reflexos potenciais sobre a carga tributária geral.
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