Títulos do Tesouro IPCA+ de longo prazo lideram ganhos em abril e rendem o dobro da média

Felipe MartinsFelipe MartinsEstratégias de investimento15 horas atrás11 Visualizações

Os títulos públicos atrelados à inflação com vencimentos acima de cinco anos foram o destaque da renda fixa em abril. O IMA-B 5+, calculado pela Anbima, avançou 2,20% no mês — ganho duas vezes maior que a média dos demais papéis federais.

Por que os prazos longos subiram?

Em abril, as taxas de juros futuras recuaram. Quando isso acontece, o preço dos títulos já emitidos sobe. Como os papéis de prazo mais longo — caso dos Tesouro IPCA+ 2032 a 2060 — têm maior sensibilidade às oscilações de juros (conceito conhecido como duration), o movimento foi potencializado.

Na prática, enquanto a rentabilidade contratada desses títulos continuou entre 7,57% e 7,21% ao ano acima da inflação, o valor de mercado deles avançou, gerando o resultado positivo para quem carregava as posições.

Inversão de tendência em relação ao primeiro trimestre

Entre janeiro e março, o ambiente de maior aversão a risco — marcado por tensões geopolíticas e incertezas fiscais domésticas — levou investidores a preferir vencimentos mais curtos. Nesse intervalo, o IMA-B 5, que acompanha papéis até cinco anos, acumulou alta de 3,87%, superando os longos.

A virada de abril indica que parte do mercado voltou a alongar a carteira de inflação, aproveitando as taxas ainda elevadas desses papéis. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, chegou a negociar abaixo de 6,72% ao ano no meio do mês, menor nível desde julho de 2025.

Maio começa com correção

O movimento não durou muito. Até 18 de maio, o IMA-B 5+ devolveu 0,81% em meio a nova rodada de aversão a risco que penalizou emergentes, enquanto os demais títulos do Tesouro subiram 0,19% no mesmo período.

O que observar se você é investidor iniciante

  • Marcação a mercado: o preço dos títulos pode oscilar diariamente. Em prazos longos, a variação tende a ser maior.
  • Relação com a Selic: expectativas de corte ou alta na taxa básica influenciam os juros futuros e, consequentemente, o valor de mercado dos papéis.
  • Proteção contra inflação: a remuneração real desses títulos permanece vinculada ao IPCA, mas o ganho de curto prazo depende do comportamento dos juros.
  • Horizonte de investimento: quanto mais distante o vencimento, maior o potencial de oscilação antes do resgate. Alinhar o prazo ao objetivo financeiro ajuda a lidar com a volatilidade.

Em outras palavras, o desempenho positivo de abril reforça como mudanças na percepção de risco e nas curvas de juros podem impactar, para o bem ou para o mal, o valor de mercado dos títulos indexados à inflação.

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