O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), realizaram nesta terça-feira (19) a primeira reunião do grupo de trabalho que discutirá a retirada de barreiras tarifárias entre Brasil e EUA. O encontro virtual ocorre menos de duas semanas depois da conversa de três horas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 7 de maio, quando foi fixado o prazo de 30 dias para apresentar avanços concretos.
Tarifas funcionam como um imposto sobre produtos importados. Ao reduzir ou eliminar essas cobranças, cai o custo final de venda e aumenta a competitividade de quem exporta. Para a economia brasileira, qualquer alívio tarifário tende a favorecer empresas que vendem aos Estados Unidos, hoje o segundo maior destino das exportações nacionais.
Do lado americano, a discussão é conduzida pelo USTR (United States Trade Representative), órgão que tem poder para investigar práticas comerciais consideradas desleais e impor sanções. O diálogo aberto por Lula e Trump indica disposição política para reavaliar barreiras, mas as áreas a serem contempladas ainda não foram divulgadas.
Em paralelo às conversas, o USTR mantém uma investigação contra o Brasil baseada na chamada Seção 301, regra que permite aos EUA retaliar países quando julgam haver práticas que violem seus interesses comerciais. O relatório preliminar deve sair em julho e avalia três pontos:
Além disso, há outra apuração envolvendo 59 países, Brasil incluído, que trata de alegações de trabalho forçado em cadeias produtivas.
Para o investidor iniciante, o principal ponto é entender que negociações tarifárias mexem com expectativas de receita das empresas listadas na Bolsa brasileira e, indiretamente, com o humor do mercado.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Segundo o sub-representante de Comércio dos EUA, Jeffrey Goettman, o diálogo segue “aberto” e novas reuniões já estão na agenda. O relatório sobre a Seção 301 deve ser concluído em julho, e o grupo de trabalho Brasil-EUA pretende apresentar propostas antes desse prazo.
Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, aproveitaram a reunião do G7 em Paris para discutir temas paralelos, como o impacto do conflito no Estreito de Ormuz e um possível mecanismo de cooperação alfandegária focado no combate ao tráfico de armas e drogas.
Embora ainda não exista um acordo fechado, a manutenção do canal de diálogo sinaliza aos mercados que as duas maiores economias do continente buscam reduzir atritos comerciais – movimento que, se concretizado, pode repercutir nos preços de ações exportadoras e na dinâmica do dólar nos próximos meses.
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