O mercado brasileiro encerrou a sexta-feira (22) em tom oposto ao das principais bolsas globais. Enquanto Wall Street renovou máximas históricas, o Ibovespa recuou 0,81%, aos 176.209 pontos, pressionado por incertezas ligadas ao cenário eleitoral captadas pela nova pesquisa Datafolha. O dólar à vista subiu 0,54%, para R$ 5,0282, devolvendo parte da queda acumulada na semana.
A primeira sondagem do instituto após a revelação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliando sua vantagem de três para nove pontos percentuais no primeiro turno (40% a 31%). No recorte de segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% de Bolsonaro, ainda dentro da margem de erro de dois pontos.
Para o investidor, pesquisas eleitorais funcionam como termômetro de risco: quanto maior a incerteza sobre a condução da economia após o pleito, maior a probabilidade de saída de capital estrangeiro ― movimento que tende a pressionar tanto o Ibovespa quanto o câmbio.
A valorização da moeda americana refletiu dois vetores:
Para quem investe, dólar mais caro costuma pressionar custos de empresas importadoras, mas também favorece exportadoras como Vale e Suzano. Além disso, a alta pode reaquecer a discussão sobre inflação de bens importados e a trajetória futura da Selic.
Imagem: Liliane de Lima
Nos Estados Unidos, a posse de Kevin Warsh como novo presidente do Fed e sinais de progresso nas conversas de paz com o Irã sustentaram o apetite a risco:
A combinação de emprego resiliente e inflação moderada mantém a expectativa de cortes graduais nos juros americanos ao longo de 2026, cenário que, em condições normais, costuma ser favorável a emergentes. Contudo, o Brasil está momentaneamente desconectado desse fluxo positivo por conta do risco eleitoral.
Para o investidor iniciante, a mensagem central é que momentos de maior ruído político tendem a aumentar a volatilidade de curto prazo. Diversificar entre classes de ativos ― como renda fixa atrelada ao CDI, ações e, quando compatível com o perfil, dólar ou fundos internacionais ― segue sendo a principal forma de atravessar períodos incertos sem depender de previsões eleitorais.
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