Torcer pela seleção está custando mais caro do que viver no dia a dia. Um estudo da Rico, baseado em dados da NielsenIQ, mostra que a chamada “cesta da Copa” — grupo de alimentos e bebidas tradicionalmente consumidos em dias de jogo — subiu 32,5% entre o fim de 2022 e 2025. No mesmo intervalo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 21%.
Enquanto a inflação geral perdeu fôlego com a taxa Selic ainda em patamares elevados, os produtos ligados a lazer e consumo coletivo continuaram pressionados por fatores específicos:
O item campeão de inflação foi o chocolate em barra e bombom, com salto de 66,6% em três anos — mais que o triplo do IPCA. A escalada reflete o choque de oferta mundial: a tonelada do cacau, que custava perto de US$ 2.500 em 2022, beirou US$ 10 mil em 2024.
Para o investidor, a movimentação ilustra como choques climáticos podem atingir cadeias globais de alimentos e impactar balanços de companhias do setor de confeitaria listadas na Bolsa.
A soma de insumos mais caros e custos logísticos sustentou a alta. Além disso, a geração Z vem consumindo menos álcool, abrindo espaço para energéticos e bebidas sem álcool — um dado importante para quem acompanha empresas de bebidas em portfólios ou fundos de consumo.
Surpreendentemente, as carnes — item de maior peso na cesta — subiram “apenas” 12,9% no período, abaixo do índice geral. O recuo de preços em 2023, após picos anteriores, compensou parte da alta de 2024. Para quem mantém o churrasco em dia de jogo, o impacto foi menor, mas não nulo.
Imagem: Getty s
Embora a renda per capita tenha subido em termos reais entre 2022 e 2025, o comprometimento da renda familiar com dívidas alcançou 29,3% em janeiro de 2026, maior patamar desde 2008. O endividamento das famílias em relação ao PIB avançou de 33,7% para 36,5% no mesmo recorte. Resultado: menos espaço no orçamento para gastos sazonais.
Esse quadro ajuda a explicar por que o comércio vê consumidores migrando para embalagens menores e marcas de menor preço, tendência que pode afetar margens das empresas de bens de consumo listadas na B3.
Para o investidor iniciante, entender esses vetores ajuda a enxergar como a inflação setorial interfere tanto no orçamento doméstico quanto no desempenho de empresas de alimentos, bebidas e varejo listadas na Bolsa.
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