Elon Musk, Sam Altman e Dario Amodei voltam a dividir holofotes. Desta vez, não pelas disputas internas no universo da inteligência artificial, mas pelo potencial de transformar 2026 no ano mais quente para ofertas públicas iniciais (IPOs) desde 2021. SpaceX, OpenAI e Anthropic avaliam abrir capital em Wall Street, movimento que poderia superar o recorde de US$ 156 bilhões captados há cinco anos.
Se concretizadas, as três aberturas de capital colocariam empresas de IA e aeroespacial no radar de investidores de varejo, fundos de índice e grandes gestoras globais, depois de quatro anos de escassez de estreias relevantes na Bolsa norte-americana.
IPO (Initial Public Offering) é a primeira vez que uma companhia vende ações ao público em bolsa. A operação transforma sócios privados em acionistas de capital aberto e costuma injetar recursos para crescimento, pesquisa ou redução de dívidas.
Os múltiplos projetados – como o da SpaceX, 91 vezes a receita – superam até mesmo a faixa já considerada alta da Big Tech. Para comparação, a Nvidia, referência de IA na Bolsa, negocia a cerca de 21 vezes suas vendas. Na prática, o investidor pagaria muito mais por cada dólar de faturamento esperando um crescimento acelerado no futuro.
Números desse porte exigem narrativa convincente. No prospecto preliminar da SpaceX, 14 das 16 primeiras páginas são imagens de foguetes, satélites e planetas – um convite a comprar a visão de Musk de internet via satélite, viagens espaciais e até data centers em órbita.
Ainda que as listagens ocorram nos EUA, o impacto chega a quem investe no Brasil de várias formas:
Mesmo com juros ainda elevados nos EUA, o apetite por risco segue robusto. Um dado citado por investidores privados mostra quase US$ 8 trilhões parados em fundos de mercado monetário (o equivalente ao nosso CDI). Aplicar 1% desse montante bastaria para absorver toda a oferta pretendida pela SpaceX.
No Brasil, a Selic em queda reduz a atratividade da renda fixa, levando parte do investidor pessoa física a buscar ativos mais arrojados – inclusive via corretoras que facilitam o acesso a ações internacionais. As listagens podem, portanto, surgir como alternativa para quem diversifica o portfólio fora do país.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Apesar do entusiasmo, as três companhias operam com grandes queimas de caixa. A OpenAI projetou necessidade de US$ 600 bilhões até 2030 antes de atingir o breakeven. A Anthropic tornou-se lucrativa em um trimestre, mas já firmou compromisso de gastar US$ 15 bilhões anuais em capacidade de data center – maior cliente da própria SpaceX.
Em mercado aberto, investidores costumam ter menos tolerância com promessas distantes de rentabilidade. O caso WeWork, que cancelou IPO de US$ 47 bilhões em 2019 após questionamentos sobre modelo de negócio, permanece como alerta.
A combinação de avaliações altas, investimentos pesados em infraestrutura e a busca por dominância em IA cria potencial para fortes oscilações pós-listagem. Para quem acompanha de fora, entender que preço e valor são conceitos distintos torna-se essencial.
Se 2026 marcar mesmo o retorno dos mega-IPOs, investidores iniciantes devem ficar atentos a:
Até lá, bancos de investimento avaliam o cronograma ideal para que as três ofertas não se canibalizem. Se o mercado absorver SpaceX, OpenAI e Anthropic sem solavancos, o resultado poderá redefinir parâmetros de captação para toda a indústria de tecnologia na próxima década.
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