Dólar volta a R$ 5,02 em meio a impasse EUA-Irã e nova pesquisa Datafolha

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAçõesagora mesmo6 Visualizações

O dólar à vista encerrou a sexta-feira (22) cotado a R$ 5,0282, alta de 0,54%. Apesar do avanço no dia, a moeda acumulou queda de 0,78% na semana, refletindo um mercado que alterna momentos de cautela e alívio.

Geopolítica mantém o câmbio volátil

Nos últimos pregões, o centro das atenções tem sido a tentativa de selar um cessar-fogo definitivo entre Estados Unidos e Irã. Segundo a Sky News Arabia, as partes chegaram a um entendimento preliminar sobre o programa nuclear iraniano, mas porta-vozes de Teerã afirmam que ainda há “divergências profundas”. A falta de clareza sustenta o petróleo acima de US$ 100 o barril, fator que costuma pressionar países importadores de combustíveis — caso do Brasil — e, por consequência, a cotação do dólar.

Pesquisa Datafolha mexe no prêmio de risco

No front doméstico, a primeira sondagem Datafolha após o Flávio Day 2 indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu 9 pontos de vantagem no primeiro turno (40% a 31%). A leitura de mercado é que qualquer mudança brusca no cenário eleitoral aumenta incertezas sobre política fiscal e reformas, alimentando demanda defensiva pela moeda norte-americana.

Dólar forte lá fora

O DXY — índice que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas relevantes — subiu 0,03%, para 99,29 pontos, reforçado por declarações de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (Fed). Ao classificar como “loucura” falar em cortes de juros num futuro próximo, Waller ajudou a empurrar as apostas de nova alta da taxa básica dos EUA para outubro, segundo a ferramenta FedWatch.

Juros mais altos nos EUA costumam atrair capitais para títulos do Tesouro norte-americano, fortalecendo o dólar globalmente e enfraquecendo moedas emergentes como o real.

Impacto para o investidor iniciante

  • Renda fixa: um câmbio acima de R$ 5 pode elevar expectativas de inflação importada, o que tende a manter títulos atrelados ao IPCA ou ao CDI em destaque no radar.
  • Bolsa brasileira: setores dependentes de insumos cotados em dólar, como companhias aéreas e varejo importador, sentem pressão de custos. Já exportadoras de commodities, principalmente as ligadas ao petróleo, se beneficiam de receitas em dólar.
  • Criptomoedas: a valorização do dólar historicamente aumenta a percepção de risco, o que pode ampliar a volatilidade dos criptoativos.

Contas públicas entram em pauta

O Ministério da Fazenda informou que o bloqueio orçamentário deve saltar de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões para respeitar o teto de gastos. Qualquer dúvida sobre a trajetória fiscal costuma afetar a confiança do investidor estrangeiro — variável que também influencia o câmbio.

O que monitorar na próxima semana

  • Desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã.
  • Discursos de dirigentes do Fed e novos indicadores de inflação nos EUA.
  • Publicação de sondagens eleitorais no Brasil.
  • Evolução do bloqueio orçamentário e eventuais revisões de metas fiscais.

Para quem acompanha o mercado, a combinação de incerteza geopolítica, ruído eleitoral e expectativa de juros mais altos nos EUA cria um ambiente favorável a oscilações no câmbio. Manter atenção às variáveis macroeconômicas e à gestão de riscos continua essencial.

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