Uma pesquisa realizada em abril pelo Tracking das Favelas, da empresa de dados NÓS, revelou que a Coca-Cola é a bebida não alcoólica mais presente nas favelas brasileiras. Entre as 800 pessoas entrevistadas, 70% declararam comprar o refrigerante com frequência, índice acompanhado por um nível semelhante de recomendação.
Coca-Cola, Fanta, Pepsi e Guaraná Antarctica – todas citadas no estudo – pertencem a empresas globais ou listadas na B3 que possuem participação relevante no mercado brasileiro.
Apesar da inflação de alimentos ter desacelerado nos últimos trimestres, o orçamento das famílias de menor renda continua pressionado. Números como o de 70% de penetração mostram que, mesmo sob restrição, marcas líderes conseguem se manter na cesta de compras, muitas vezes por meio de embalagens retornáveis ou promoções em atacarejos – formato de loja que cresce justamente onde o poder de compra é mais sensível ao preço.
No recorte da pesquisa, Fanta, Pepsi e Guaraná Antarctica aparecem com taxas de compra entre 52% e 59%. Na prática, isso indica um consumo diversificado, mas ainda concentrado em multinacionais tradicionais. Para o investidor, o movimento reforça:
O estudo aponta que o consumo de Coca-Cola e Fanta é mais intenso entre mulheres, enquanto homens dividem preferência entre Fanta, Pepsi e Guaraná Antarctica. Essa segmentação ajuda empresas a direcionar campanhas e mix de produto, aspecto que pode afetar margens caso haja necessidade de adaptar embalagens ou comunicação.
Com a Selic ainda em dois dígitos, as decisões de investimento de grandes companhias no Brasil têm sido cautelosas. Mesmo assim, o público de menor renda permanece no radar estratégico por oferecer venda em volume, o que dilui custos fixos e pode sustentar caixa em períodos de atividade econômica moderada.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Além disso, o câmbio mais depreciado desde 2020 encarece insumos importados, pressionando margens. Marcas líderes costumam repassar parte desses custos ao consumidor, mas o fazem de forma calibrada em regiões sensíveis a preço, reforçando a competição por eficiência operacional.
Os resultados confirmam uma tendência observada por redes de varejo e fintechs: a chamada “economia das favelas” movimenta bilhões de reais por ano, segundo estimativas privadas, e vem recebendo maior atenção de empresas de bens de consumo rápido (FMCG).
Para o investidor que monitora empresas de bebidas, supermercados ou logística, entender o comportamento de compra das favelas ajuda a dimensionar riscos e oportunidades em um dos mercados mais populosos e dinâmicos do país.
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