O mês de maio trouxe um ajuste brusco para a Bolsa brasileira. Depois de flertar com os 200 mil pontos em abril, o Ibovespa voltou à região dos 177 mil pontos. A mudança de humor veio acompanhada de projeções piores para a Selic — o mercado já trabalha com 13,25 % ao ano no fim de 2026, segundo o Relatório Focus — e de um ambiente externo mais tenso, marcado pela alta do petróleo e por novas tensões no Oriente Médio.
Nesse contexto, a Empiricus Research comunicou ajustes táticos na carteira “Renda Extra”, focada em geração de caixa para o investidor. O principal movimento foi aumentar a exposição a três grandes pagadoras de dividendos: Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e Telefônica Brasil/Vivo (VIVT3). Para abrir espaço, a casa retirou SLC Agrícola (SLCE3).
Com juros ainda elevados e dólar firme, a seleção de empresas com histórico de fortes dividendos funciona como colchão de renda para momentos de correção. Abaixo, os pontos que justificaram o reforço em cada papel.
Mesmo após um trimestre abaixo do consenso, a estatal negocia a menos de três vezes o múltiplo EV/EBITDA — métrica que compara o valor da empresa ao lucro operacional. A companhia segue beneficiada pelo petróleo caro, consequência direta da oferta apertada e da geopolítica conturbada. A Empiricus estima dividend yield próximo de 10 % para 2026. Para quem está começando, esse percentual indica o quanto o investidor pode receber em proventos em relação ao preço da ação, funcionando como um “aluguel” periódico.
Os números do primeiro trimestre frustraram expectativas mais otimistas, mas a mineradora manteve forte geração de caixa. O minério de ferro se sustenta acima de US$ 100 a tonelada graças ao suporte fiscal chinês, o que preserva a capacidade de distribuir dividendos robustos. Em uma carteira de renda, a previsibilidade dos pagamentos é considerada atributo defensivo.
Imagem: Anna Larissa Zeferino
Com receitas recorrentes de telefonia móvel e fibra, a Vivo apresenta crescimento moderado e margens estáveis. O fluxo de caixa elevado sustenta dividendos regulares, fator que ganha peso em um cenário em que a renda fixa segue atraente — o investidor compara o retorno das ações com o CDI.
A Empiricus optou por zerar a posição na produtora de grãos. Além de resultados recentes mais fracos, a combinação de oferta mundial alta e queda nos preços de soja e milho pressiona margens. Fertilizantes, por sua vez, acompanham o petróleo e encarecem o custo de produção.
Em suma, o ajuste da Empiricus reflete a busca por nomes capazes de sustentar distribuição de caixa num ambiente de incerteza macro, dólar forte e Selic elevada. Para quem está construindo patrimônio, entender como empresas geram e repassam esse caixa — e quais riscos assumem no caminho — é tão importante quanto o próprio valor do dividendo.
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