Safra recorde não vira lucro: BB Investimentos vê custos corroendo margens de grãos e carnes

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções14 horas atrás11 Visualizações

A colheita segue volumosa, mas o caixa do produtor encolhe. Em relatório setorial de maio, o BB Investimentos aponta que grãos e proteínas entram no meio do ano com margens mais apertadas. O motivo é a combinação de real valorizado, insumos em alta e preços internacionais em queda.

Safra recorde não garante renda

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta nova safra global de soja para 2026/27, alimentada por aumento de área e produtividade. No Brasil, seria o terceiro recorde consecutivo. Ainda assim, a renda do produtor perde força porque:

  • Câmbio: real mais forte reduz o valor em reais recebido por cada saca exportada.
  • Prêmios menores: diferença entre o preço praticado nos portos brasileiros e a cotação de Chicago diminuiu.
  • Fertilizantes: após alívio em 2025, a tonelada voltou a subir, piorando a chamada “relação de troca” — quantas sacas são necessárias para pagar o adubo.

No milho, a situação é parecida. A oferta global deve recuar levemente, mas estoques continuam altos o bastante para segurar os preços. Já no Brasil, o consumo interno tende a crescer com a produção de etanol de milho, reduzindo o excedente exportável.

Carne: exportação segura volume, mas custo aperta margem

Na pecuária, a margem entre o preço pago pelo boi gordo e o valor recebido pela carne vem encolhendo. A desaceleração dos abates no início de 2026 sinaliza fase mais avançada do ciclo pecuário — quando a oferta diminui e os custos de reposição sobem.

O frango, após as restrições da influenza aviária, volta a embarcar volumes robustos, mas enfrenta preços menores no mercado interno. A suinocultura mantém ritmo forte de exportações para Filipinas e México, porém também sente a combinação de preços médios mais baixos e insumos caros.

O que o investidor precisa saber

Para quem acompanha ações do agronegócio, o relatório do BB indica que o setor segue robusto em produção, mas seletivo em rentabilidade. Margem menor pode reduzir fluxo de caixa, afetar dividendos e planos de expansão. Em paralelo, a Selic em queda diminui o custo de capital, mas não neutraliza pressões cambiais ou de fertilizantes.

A seguir, os principais papéis monitorados pelo banco e o preço-alvo para 2026:

  • 3tentos (TTEN3) – preço-alvo: R$ 20,8
  • Ambev (ABEV3) – preço-alvo: R$ 16
  • Minerva (BEEF3) – preço-alvo: R$ 38
  • JBS (JBSS3) – preço-alvo: R$ 32
  • Marfrig (MRFG3) – preço-alvo: R$ 26,2
  • SLC Agrícola (SLCE3) – preço-alvo: R$ 18,4
  • Boa Safra (SOJA3) – preço-alvo: R$ 10,7

Os analistas ressaltam vantagens estruturais do Brasil — solo fértil, clima e logística diversificada —, mas chamam atenção para a volatilidade do dólar e dos insumos, pontos que devem seguir no radar dos investidores ao longo de 2026.

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