Em entrevista à emissora norte-americana Fox Business, o ex-diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca Kevin Hassett afirmou que a inflação dos Estados Unidos pode recuar “bastante” ainda este ano, desde que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz seja normalizado. O gargalo logístico na região — responsável por aproximadamente 20% do tráfego mundial de petróleo — elevou a volatilidade dos preços do barril nas últimas semanas.
Quando a passagem está congestionada ou sob risco geopolítico, o barril do tipo Brent tende a encarecer. Preço de petróleo mais alto pressiona custos de transporte, energia elétrica e insumos industriais, refletindo nas prateleiras e, por consequência, nos índices de preços ao consumidor.
Para Hassett, a recente queda nos rendimentos (yields) dos Treasuries indica que o mercado já antecipa um cenário de menor inflação. Caso o petróleo recue com a reabertura total do estreito, o núcleo de inflação — que exclui itens voláteis como energia e alimentos — ficaria próximo da meta de 2% do Federal Reserve.
O Fed mantém a taxa de juros entre 5,25% e 5,50% ao ano e monitora de perto o comportamento dos preços de energia. Se o petróleo cair, o banco central ganha mais confiança para iniciar um ciclo de cortes em 2024, o que tende a impulsionar ativos de risco mundo afora.
Imagem: Arabella Bennett FOXBusiness
Embora nenhum prazo exato tenha sido dado para o desbloqueio total do Estreito de Ormuz, o sinal de que eventuais avanços diplomáticos podem esfriar o preço do barril reforça a importância de acompanhar o noticiário geopolítico. Para o investidor, entender essa ligação entre gargalos logísticos, petróleo e inflação ajuda a calibrar expectativas sobre juros, câmbio e desempenho de diferentes classes de ativos.
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