Ouro perde a marca de US$ 4,5 mil em meio a incertezas sobre possível acordo EUA-Irã

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro8 horas atrás11 Visualizações

Os contratos de ouro para entrega em junho encerraram a quarta-feira em queda de 1,20%, cotados a US$ 4.448,40 por onça-troy na Comex, em Nova York. A desvalorização devolve o metal precioso a patamares inferiores aos simbólicos US$ 4,5 mil, referência que vinha servindo de apoio psicológico ao mercado.

Por que o metal caiu hoje?

  • Sinais contraditórios sobre o Estreito de Ormuz – A TV estatal iraniana divulgou que Teerã teria recebido um rascunho de memorando com os Estados Unidos prevendo liberação do tráfego no Estreito e retirada de tropas americanas. A Casa Branca negou a existência do documento.
  • Declaração de Donald Trump – O presidente afirmou estar “insatisfeito” com os termos em discussão, ampliando a incerteza política.
  • Queda do petróleo – Apesar de o ouro muitas vezes subir quando o petróleo avança (proteção contra inflação), o recuo da commodity energética ajudou a retirar parte da demanda por ativos defensivos neste pregão.

Fed continua no centro da atenção

O UBS Global Wealth Management reduziu de US$ 5,9 mil para US$ 5,5 mil a projeção de preço para o ouro no fim de 2026. O banco ainda vê espaço para recuperação ao longo do ano, mas condiciona esse cenário a um eventual abrandamento do Federal Reserve (Fed) quanto ao aperto de juros. Segundo o UBS, cortes estariam no radar para dezembro e março seguintes, caso os atuais preços de energia não contaminem a inflação geral.

Para o investidor, a relação entre ouro e juros é direta: taxas mais altas aumentam a atratividade dos títulos remunerados em dólar, reduzindo a procura por um ativo que não paga rendimento. Caso o Fed efetivamente reduza os Fed Funds, o custo de oportunidade cai e o metal tende a se beneficiar.

O que observar no Brasil

  • Câmbio – A cotação do ouro é expressa em dólar. Oscilações na moeda norte-americana frente ao real podem potencializar ou neutralizar movimentos internacionais para quem investe em fundos de ouro, ETFs ou contratos na B3.
  • Selic e renda fixa local – Com a taxa básica em trajetória de queda, parte dos investidores busca alternativas defensivas. Ainda assim, vale lembrar que o metal não substitui a reserva de liquidez em pós-fixados atrelados ao CDI.
  • Exposição indireta – Quem prefere diversificação sem operar commodities pode acessar o tema via fundos multimercados que carregam posição em ouro para proteção de carteira.

Por ora, o desempenho do metal continuará sensível a qualquer manchete que envolva o Oriente Médio ou a política monetária dos Estados Unidos. Para o investidor iniciante, acompanhar essas variáveis ajuda a entender por que o preço do ouro, tradicional porto seguro, pode oscilar tanto quanto ações ou moedas em determinados momentos.

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