Citi volta a enxergar EcoRodovias como atrativa após queda de 23% no ano

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções4 horas atrás8 Visualizações

O Citi revisou sua visão sobre as ações da EcoRodovias (ECOR3), elevando a recomendação de neutra para compra. Mesmo com o preço-alvo reduzido de R$ 11 para R$ 10 ao fim de 2026, o banco enxerga potencial de valorização de 29,7% em relação ao fechamento de terça-feira (26), quando o papel terminou a R$ 7,80 — alta de 1,17% no dia.

O que mudou na análise do Citi

  • Correção de 23,7% no ano: a queda significativa desde janeiro tornou o valuation mais atraente, segundo o analista Filipe Nielsen.
  • TIR de 16,7%: a Taxa Interna de Retorno estimada supera a remuneração de muitos títulos de renda fixa, ainda que envolva riscos operacionais.
  • Leilão da Rota Gerais concluído: com menos atenção voltada a novos projetos, a companhia pode concentrar esforços na execução dos contratos vigentes.

Tráfego vira o principal motor de receita

A EcoRodovias administra concessões de rodovias pedagiadas, um negócio com custos fixos elevados. Quanto maior o fluxo de veículos, maior a diluição desses custos e, consequentemente, a margem de lucro. O Citi projeta:

  • Crescimento de tráfego acima do PIB: entregas de obras e melhorias tendem a atrair usuários, impulsionando a receita.
  • Sensibilidade macroeconômica: em períodos de atividade fraca, o número de viagens recua, afetando diretamente o caixa da companhia.

Alavancagem ainda preocupa

O banco estima que o endividamento elevado deve persistir até 2030. Metade da dívida está indexada à inflação (IPCA) e a taxas de longo prazo, o que suaviza o impacto imediato da Selic alta. Porém, um ciclo prolongado de juros elevados aumenta o custo de novos financiamentos e exige disciplina financeira.

O que o investidor iniciante deve observar

  • Setor de concessões: receitas ligadas a pedágios costumam apresentar fluxo de caixa previsível, mas dependem da elasticidade de tráfego.
  • Riscos macro: inflação, dólar e atividades econômicas afetam custos de manutenção e demanda por viagens.
  • Comparação de retorno: a TIR projetada de 16,7% deve ser analisada frente às alternativas de renda fixa, como CDI ou Tesouro IPCA+, que oferecem menor volatilidade.
  • Alavancagem: empresas mais endividadas tendem a reagir de forma mais intensa a mudanças na taxa de juros.

A mudança de recomendação do Citi recoloca ECOR3 no radar de parte do mercado, mas a trajetória futura dependerá do volume de tráfego e da gestão da dívida em um ambiente de juros ainda elevados.

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