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As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram a quarta-feira (27) praticamente no zero a zero. O mercado digeriu a prévia da inflação acima do esperado e, ao mesmo tempo, o recuo nas tensões entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, que esfriou a alta do petróleo.
A prévia da inflação oficial subiu 0,62% em maio e ultrapassou as estimativas de analistas. Em 12 meses o índice chegou a 4,64%, acima do teto da meta de 4,5% perseguida pelo Banco Central. Para investidores iniciantes, isso significa que o BC pode precisar manter juros mais altos por mais tempo, já que inflação e Selic caminham juntas: juros elevados são a principal ferramenta para conter a alta de preços.
O DI é um contrato negociado na B3 que reflete as expectativas do mercado para a taxa básica de juros em datas futuras. Quando a taxa sobe, o investidor exige mais retorno para emprestar dinheiro no prazo correspondente; quando cai, significa expectativa de juros menores adiante. Por isso, mesmo quem investe em Tesouro Selic ou CDBs pós-fixados acompanha a movimentação da curva: ela indica tendências de rentabilidade real.
Relatos de progresso nas negociações entre Washington e Teerã reduziram o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, rota por onde passa boa parte do petróleo global. O preço do barril voltou a ficar abaixo de US$ 100, tirando impulso inflacionário de curto prazo. Esse fator equilibrou o impacto negativo do IPCA-15 na curva de juros doméstica.
As opções de Copom negociadas na B3 apontavam 79% de probabilidade de novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic em junho, mantendo a taxa em 14,25% ao ano. As chances de manutenção em 14,50% eram de 15,5%, enquanto apenas 3,5% do mercado via espaço para um corte mais agressivo de 0,50 p.p.
Imagem: Liliane de Lima
Em linguagem simples: apesar da inflação acima do previsto, o mercado ainda confia que o BC prossiga com reduções graduais, mas o ritmo deve permanecer cauteloso.
O mercado aguarda os dados de emprego do Caged, que podem reforçar ou suavizar a percepção de aquecimento econômico interno. Lá fora, qualquer avanço concreto nas negociações EUA-Irã seguirá influenciando petróleo e, por consequência, as expectativas de inflação.
Para o investidor que está começando, acompanhar indicadores como IPCA, decisões do Copom e movimentação dos DIs ajuda a entender por que os rendimentos dos seus títulos variam — mesmo quando você não faz novos aportes.
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