Transações com cartões ligados a criptomoedas saltam 230% em um ano e atingem US$ 7,8 bi

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedasagora mesmo6 Visualizações

O uso de cartões de débito e crédito vinculados a criptomoedas ganhou tração ao longo do último ano. Segundo dados da publicação de pesquisa de mercado The Kobeissi Letter, o volume acumulado dessas transações chegou a US$ 7,8 bilhões em maio de 2026, alta de cerca de 230% na comparação anual.

O que explica o salto recente

Dois fatores se destacam:

  • Stablecoins como “ponte” para o dinheiro tradicional – Moedas digitais pareadas a moedas fiduciárias, como o dólar, passaram a ser aceitas nos cartões. Isso permite ao usuário gastar cripto como se fosse saldo em moeda convencional.
  • Oferta maior de produtos – Exchanges e fintechs lançaram cartões em parceria com grandes bandeiras, reduzindo barreiras de uso no varejo físico e on-line.

Visa capta 90% das transações

A Visa aparece na ponta recebedora de nove em cada dez dólares movimentados pelos cartões cripto, resultado de acordos com empresas nativas do universo blockchain, como a Jupiter Global – projeto ligado à corretora descentralizada Jupiter, na rede Solana.

Em janeiro de 2026, a exchange OKX lançou um cartão focado em stablecoins na Europa, operando pela rede Mastercard. Dados da própria OKX mostram que:

  • Compras em supermercados representaram 26% do volume;
  • Restaurantes vieram em seguida, com 18%;
  • E-commerce respondeu por 13%.

A distribuição revela adoção cotidiana: criptomoeda para pagar almoço, mercado e compras on-line, um argumento que antes era visto como ponto frágil do setor.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Expansão geográfica em curso

Em março, Visa e Bridge (fintech do grupo Stripe) anunciaram planos para cartões atrelados a stablecoins em mais de 100 países até o fim de 2026. A primeira leva contempla 18 mercados latino-americanos – Argentina, Colômbia, Equador, México, Peru e Chile, entre outros – com expansão prevista para Ásia-Pacífico, África e Oriente Médio.

Por que importa para o investidor brasileiro

  • Integração sem ruptura – O avanço ocorre sem desalojar players tradicionais, o que sugere convivência entre o sistema bancário e o universo cripto.
  • Impacto na percepção de risco – Quanto maior o uso como meio de pagamento, menor a dependência de pura especulação, fator que tende a reduzir a volatilidade percebida por parte dos investidores.
  • Cenário macro – Em um ambiente de juros globais ainda elevados e inflação resiliente, a busca por meios de pagamento internacionais com menor custo se intensifica. A adoção de stablecoins pode afetar a demanda por dólar físico e por soluções de câmbio tradicionais.
  • Educação financeira – Para quem começa a investir em cripto, entender a diferença entre utilizar stablecoin para gastos diários e manter ativos voláteis como bitcoin em carteira é crucial para gerir riscos.

Embora o salto de 230% sinalize maturidade crescente, especialistas lembram que o uso de cripto em pagamentos ainda depende de regulamentação, segurança operacional e aceitação dos comerciantes. Investidores que acompanham o setor devem observar não apenas a tecnologia, mas também os marcos regulatórios que podem surgir à medida que o Banco Central, em diferentes países, avalia a integração de ativos digitais ao sistema financeiro tradicional.

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