Recuo do petróleo apaga R$ 98 bi do valor de mercado da Petrobras em maio

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções1 hora atrás7 Visualizações

O mês de maio terminou com a Petrobras (PETR3; PETR4) acumulando seu primeiro desempenho negativo de 2026. A combinação entre avanço das negociações de paz no Oriente Médio e forte correção no preço do petróleo levou as ações preferenciais (PETR4) a recuar 14,43%, enquanto as ordinárias (PETR3) caíram 14,62%, segundo dados da B3.

Valor de mercado encolhe R$ 98 bilhões

O tombo nas cotações eliminou R$ 98,1 bilhões do valor de mercado da estatal, que fechou o dia 29 de maio avaliada em R$ 576,5 bilhões – o menor patamar desde 6 de março. Em abril, a empresa havia batido recorde histórico de R$ 680,1 bilhões em meio ao pico do conflito envolvendo o Irã.

Petróleo Brent recua 17,4% no mês

  • Brent para agosto: US$ 91,12 por barril (queda de 17,4%)
  • WTI para julho: US$ 87,36 por barril (queda de 16,8%)

Segundo a Dow Jones Market Data, o Brent despencou US$ 19, maior recuo mensal em dólares desde março de 2020, período marcado pela pandemia de covid-19. Já o WTI teve a maior queda desde novembro de 2021.

O que mudou no cenário geopolítico

Investidores monitoram conversas entre Estados Unidos e Irã que buscam um cessar-fogo e eventual alívio de sanções. A simples perspectiva de aumento da oferta de petróleo – com possível reabertura total do Estreito de Ormuz – tem pressionado as cotações da commodity, principal fonte de receita da Petrobras.

Impacto para quem investe

  • Participação no Ibovespa: A Petrobras é uma das maiores componentes do índice. Uma queda dessa magnitude pesa sobre o desempenho da Bolsa como um todo, afetando ETFs que replicam o Ibov.
  • Dividendos: Preço do petróleo e lucro caminham juntos. Se a commodity se mantiver em patamar mais baixo, o fluxo de caixa da empresa tende a diminuir, o que pode levar a revisões em futuras distribuições de proventos.
  • Renda fixa versus renda variável: Em um cenário de Selic ainda elevada, perdas expressivas em ações lembram o investidor iniciante da importância de equilibrar o portfólio com ativos menos voláteis, como Tesouro Selic ou CDBs atrelados ao CDI.
  • Dólar: Redução no prêmio de risco do petróleo pode aliviar a pressão cambial, mas oscilações ligadas ao quadro externo seguem no radar.

Por que acompanhar o petróleo importa

O preço do barril influencia não só a rentabilidade da Petrobras, mas também a inflação doméstica via combustíveis. Uma queda prolongada da commodity tende a reduzir custos logísticos e, por consequência, a pressionar menos o IPCA. Isso pode abrir espaço para o Banco Central repensar o ritmo de cortes na Selic ao longo do ano.

Para o investidor, acompanhar os desdobramentos das negociações EUA-Irã e o comportamento do Brent ajuda a compreender por que a ação da Petrobras varia tanto em períodos curtos e como esses movimentos reverberam em todo o mercado brasileiro.

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