O início de junho chega com rendimentos robustos na prateleira de renda fixa da XP. Em meio à elevação das expectativas de inflação e a dúvidas sobre o ritmo de cortes da Selic, CDBs prefixados oferecem até 14,25% ao ano para prazos pouco acima de 12 meses, enquanto papéis indexados ao IPCA pagam até IPCA + 8,05% em apenas um ano.
Principais taxas disponíveis nesta segunda-feira (1)
- CDBs prefixados: até 14,25% ao ano (prazo superior a 12 meses)
- CDBs IPCA+: até IPCA + 8,05% em 12 meses
- CDBs pós-fixados: até 104% do CDI em prazos acima de 1 ano
- LCAs prefixadas: até 11,48% ao ano em 12 meses (isentas de IR)
- LCAs IPCA+: até IPCA + 5,55% em 1 ano (isentas de IR)
- LCAs pós-fixadas: até 85,5% do CDI em 12 meses (isentas de IR)
- LCIs pós-fixadas: até 85% do CDI em 1 ano (isentas de IR)
Entre as ofertas individuais aparecem um CDB do Banco C6 a 14,60% ao ano com vencimento em 2032 e um CDB do Banco XP que paga 102% do CDI até 2028. Todos os papéis estão sujeitos à cobertura do FGC dentro dos limites vigentes (R$ 250 mil por CPF e por instituição, até R$ 1 milhão a cada quatro anos).
Por que as taxas estão tão altas?
Duas peças do quebra-cabeça ajudam a entender os números:
- Inflação resistente. O Boletim Focus elevou a projeção de IPCA para 2026 pela 12.ª semana consecutiva, reforçando a percepção de preços mais pressionados à frente.
- Curva de juros inclinada. Após a divulgação do PIB do 1.º trimestre — crescimento de 1,1% impulsionado pelo consumo das famílias — os DIs de curto prazo subiram, refletindo a leitura de que o Banco Central pode ter pouco espaço para reduzir a Selic rapidamente. Já a parte longa da curva cedeu levemente, acompanhando a queda dos Treasuries norte-americanos.
Quando o mercado projeta Selic alta por mais tempo, emissores bancários precisam oferecer prêmios maiores para atrair recursos. Daí os percentuais de dois dígitos observados em CDBs e a abertura das taxas em papéis indexados à inflação.
O que significam CDI, IPCA+ e prefixado?
- CDI: taxa usada entre bancos, muito próxima da Selic diária. Um CDB que paga 104% do CDI rende 4% acima desse parâmetro.
- IPCA+: remuneração híbrida: uma parcela fixa (por exemplo, 8,05% ao ano) somada à inflação oficial. Se o IPCA ficar em 4%, o retorno nominal será 12,05% no período.
- Prefixado: taxa conhecida desde o início. O investidor só descobre se ganhou ou perdeu da inflação depois do vencimento.
Aspectos práticos para o investidor iniciante
- Tributação. CDBs seguem a tabela regressiva de IR (15% a 22,5%), enquanto LCIs e LCAs são isentas.
- Liquidez. Parte das ofertas não permite resgate antes do vencimento. É importante casar o prazo do título com a necessidade de caixa.
- Risco de crédito. A cobertura do FGC reduz o risco, mas não elimina a necessidade de avaliar a saúde do emissor e a diversificação da carteira.
- Comparação com Tesouro Direto. Títulos públicos oferecem liquidez diária, porém as taxas disponíveis hoje podem ser menores que as vistas nos CDBs. O ponto de equilíbrio depende do prazo, do valor líquido após impostos e da segurança desejada.
Momento de mercado
A combinação de atividade econômica resiliente no Brasil e alívio externo — após expectativa de acordo entre EUA e Irã que derrubou o petróleo — trouxe movimentos opostos na curva de juros: alta nos contratos curtos e queda nos longos. Para a renda fixa bancária, isso se traduz em ofertas mais agressivas em prazos intermediários, geralmente aqueles que competem diretamente com o Tesouro Selic na preferência dos pequenos poupadores.
Como sempre, entender a mecânica do produto, o prazo de resgate e a tributação é passo obrigatório antes de qualquer aplicação.