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A possível reinstalação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos coloca cerca de 27% das vendas do Brasil ao país — o equivalente a US$ 10,1 bilhões — sob risco direto, de acordo com estimativas da MB Associados.
Os EUA investigam, pela seção 301 de sua legislação comercial, alegadas práticas “injustas” de parceiros. O Escritório do Representante de Comércio (USTR) propôs revogar isenções concedidas em 2023 e reativar sobretaxas.
Na prática, 21,2 bilhões de dólares de um total de 37,7 bilhões exportados pelo Brasil em 2025 ficariam livres das tarifas, mas outros 10,1 bilhões sofreriam sobretaxas de até 25%.
A lista se concentra em itens de maior valor agregado, justamente onde a indústria de transformação brasileira tem maior exposição ao mercado norte-americano.
O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, vê a medida alinhada à promessa do ex-presidente Donald Trump de “reindustrializar” o país. A nova lista evita produtos que pesam no bolso do eleitor americano — estratégia comum em ano eleitoral — e foca em manufaturados importados.
Entre os argumentos americanos estão temas difíceis de quantificar, como desmatamento, propriedade intelectual e até o Pix. Para Vale, isso torna a contestação brasileira mais complexa.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Para o pequeno investidor, o episódio serve de lembrete de que conjuntura internacional interfere no desempenho de ativos brasileiros, sobretudo os ligados à cadeia exportadora.
O USTR abriu consulta pública e deve concluir o processo em 15 de julho. Economistas consideram “quase inevitável” a adoção das medidas. Caso se confirmem, o Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou negociar exceções bilaterais, mas essas saídas costumam levar tempo.
Enquanto isso, empresas afetadas já avaliam redirecionar vendas ou absorver parte do custo. O desfecho deve ficar mais claro nas próximas semanas, na medida em que Washington define o escopo final das tarifas e Brasília articula sua resposta diplomática.
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