Parlamento britânico alerta Banco da Inglaterra sobre risco de “engessar” stablecoins da libra

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas7 horas atrás7 Visualizações

O Reino Unido quer regular stablecoins, mas pode acabar sufocando o próprio mercado. É o alerta feito pela Comissão de Regulação de Serviços Financeiros da Câmara dos Lordes, em relatório divulgado nesta quarta-feira (2).

O que está em jogo

  • Stablecoin é um token digital lastreado 1:1 em moeda fiduciária; no caso britânico, na própria libra esterlina.
  • Hoje, o mercado global é dominado por pares em dólar, como USDT e USDC. A libra praticamente não aparece entre os principais volumes.
  • Para os parlamentares, a falta de um marco claro no Reino Unido atrasou o desenvolvimento de tokens em GBP e afastou investimentos.

Principais pontos criticados

  • Reserva de 40% em depósitos não remunerados: o Banco da Inglaterra propôs que emissores considerados sistêmicos mantenham 40% das garantias paradas, sem rendimento, no banco central. A comissão afirma que isso encarece a operação e reduz a atratividade do negócio.
  • Limites temporários de posse: tetos para a quantidade de stablecoins que empresas e pessoas poderiam manter levantam dúvidas sobre a adoção prática e a escalabilidade dos tokens.
  • Proibição de pagar juros: o BoE segue a linha da regulação europeia (MiCA) e dos debates nos EUA, vetando remuneração direta ao detentor da moeda. Sem incentivos, o token concorreria em desvantagem com meios de pagamento tradicionais.

Por que isso importa para o investidor brasileiro

  • Stablecoins facilitam entrada e saída de criptoativos, inclusive para quem reside no Brasil e precisa converter reais em moedas fortes.
  • Regulação mais dura na libra pode reforçar o domínio dos pares em dólar, concentrando ainda mais risco cambial em transações internacionais.
  • Debates semelhantes devem ganhar força no Brasil, onde já existem versões tokenizadas do real em ambientes de sandbox regulatório do Banco Central.
  • A exigência de reservas sem remuneração lembra a discussão local sobre o custo de manter liquidez em títulos públicos versus o rendimento do CDI ou da Selic.

Panorama regulatório internacional

  • União Europeia: o MiCA já impede que emissores de stablecoins paguem juros, focando o uso como meio de pagamento.
  • Estados Unidos: o projeto GENIUS Act também barra o pagamento de juros, mas o debate sobre recompensas via exchanges segue aberto.
  • Reino Unido: quer combinar supervisão do Banco da Inglaterra e da Autoridade de Conduta Financeira (FCA), mas ainda precisa ajustar detalhes operacionais.

O que observar daqui para frente

  • O governo britânico prometeu manter o cronograma de implementação, mas o relatório pressiona por revisões em 2026.
  • Mercado aguarda clareza sobre como funcionará a fiscalização conjunta BoE-FCA e se haverá flexibilização nos limites de reservas.
  • Investidores devem acompanhar a evolução das normas, pois custos mais altos para emissores podem afetar liquidez, spreads e adoção de novos pares cambiais.

A maior lição para quem acompanha o tema no Brasil é que regulação equilibrada tende a atrair capital e inovação; regras excessivamente restritivas podem alcançar o efeito oposto. A discussão britânica, portanto, funciona como termômetro para outros países que planejam avançar no mesmo caminho.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

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