As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a terça-feira (2) em queda, revertendo parte do avanço visto na sessão anterior. O ajuste se deu em toda a curva, do curtíssimo ao longo prazo, indicando que investidores voltaram a enxergar espaço para cortes graduais na taxa básica de juros.
Principais números do dia
- DI jan/27: 14,160% (-4,5 pontos-base)
- DI jan/29: 14,015% (-4,5 p.b.)
- DI jan/36: 14,070% (-0,5 p.b.)
Na B3, as opções ligadas ao Comitê de Política Monetária (Copom) apontavam 74% de probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic em junho. As chances de manutenção da taxa em 14,50% ficaram em 24%, enquanto a probabilidade de redução de 0,50 ponto foi residual, de 1,2%.
Por que as taxas caíram?
Dois fatores puxaram os juros para baixo:
- Revisões de cenário: A Porto Asset elevou a projeção de Selic para 13,75% em 2026, enquanto o C6 Bank manteve 13,50%, mas com inflação mais alta. Mesmo assim, o mercado entende que o ciclo de cortes — embora lento — continua vivo.
- Alívio nos Treasuries: Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano voltaram a ceder. O yield de dois anos caiu para 4,043% e o de dez anos, referência global, recuou para 4,443%. Quando o custo de captação em dólar diminui, ativos de renda fixa no Brasil tendem a acompanhar, ainda que parcialmente.
Tensão externa ainda no radar
Apesar da queda das taxas, o ambiente segue volátil. Duas frentes pesam na avaliação de prêmio de risco:
- Oriente Médio: Novos impasses entre Washington e Teerã mantêm a atenção dos investidores, dado o potencial impacto em preços de petróleo e, por tabela, na inflação global.
- Tarifas dos EUA: O governo Trump propôs sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, alegando práticas “injustas”. O anúncio elevou os prêmios ao longo da curva logo após ser divulgado, mas o efeito se dissipou parcialmente ao longo do dia.
O que significa para o investidor iniciante?
- Renda fixa prefixada: Quedas nas taxas de DI sinalizam que títulos prefixados e Tesouro Prefixado tendem a valorizar no curto prazo, pois pagam cupons fixos mais altos que os novos papéis.
- Indexados à Selic: Se o Banco Central confirmar novos cortes, o rendimento de aplicações atreladas ao CDI pode diminuir gradualmente, mas segue elevado em termos históricos.
- Bolsa de valores: Juros menores costumam favorecer ações, já que reduzem o custo de capital das empresas. Contudo, incertezas externas podem gerar oscilações adicionais.
- Dólar: Tensões geopolíticas e anúncios de tarifas costumam trazer pressão de valorização da moeda norte-americana, mas a trajetória final depende também do diferencial de juros entre Brasil e EUA.
Próximos gatilhos
- Divulgação de novos dados de inflação no Brasil, que podem reforçar ou esfriar a expectativa de cortes na Selic.
- Atualizações sobre o pacote tarifário dos EUA e possíveis retaliações brasileiras.
- Discurso de autoridades do Federal Reserve, capaz de influenciar os Treasuries e, por consequência, a curva local.
Enquanto isso, o investidor pessoa física encontra um mercado de juros ainda elevado, mas já sujeito a ajustes finos conforme se aproxima a próxima reunião do Copom. A tarefa é acompanhar os indicadores de inflação e as sinalizações do Banco Central para calibrar expectativas, sem perder de vista o noticiário externo que adiciona volatilidade aos preços dos ativos.