Juros futuros recuam com apostas de novo corte da Selic, apesar de tensão tarifária dos EUA

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções4 horas atrás7 Visualizações

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a terça-feira (2) em queda, revertendo parte do avanço visto na sessão anterior. O ajuste se deu em toda a curva, do curtíssimo ao longo prazo, indicando que investidores voltaram a enxergar espaço para cortes graduais na taxa básica de juros.

Principais números do dia

  • DI jan/27: 14,160% (-4,5 pontos-base)
  • DI jan/29: 14,015% (-4,5 p.b.)
  • DI jan/36: 14,070% (-0,5 p.b.)

Na B3, as opções ligadas ao Comitê de Política Monetária (Copom) apontavam 74% de probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic em junho. As chances de manutenção da taxa em 14,50% ficaram em 24%, enquanto a probabilidade de redução de 0,50 ponto foi residual, de 1,2%.

Por que as taxas caíram?

Dois fatores puxaram os juros para baixo:

  • Revisões de cenário: A Porto Asset elevou a projeção de Selic para 13,75% em 2026, enquanto o C6 Bank manteve 13,50%, mas com inflação mais alta. Mesmo assim, o mercado entende que o ciclo de cortes — embora lento — continua vivo.
  • Alívio nos Treasuries: Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano voltaram a ceder. O yield de dois anos caiu para 4,043% e o de dez anos, referência global, recuou para 4,443%. Quando o custo de captação em dólar diminui, ativos de renda fixa no Brasil tendem a acompanhar, ainda que parcialmente.

Tensão externa ainda no radar

Apesar da queda das taxas, o ambiente segue volátil. Duas frentes pesam na avaliação de prêmio de risco:

  • Oriente Médio: Novos impasses entre Washington e Teerã mantêm a atenção dos investidores, dado o potencial impacto em preços de petróleo e, por tabela, na inflação global.
  • Tarifas dos EUA: O governo Trump propôs sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, alegando práticas “injustas”. O anúncio elevou os prêmios ao longo da curva logo após ser divulgado, mas o efeito se dissipou parcialmente ao longo do dia.

O que significa para o investidor iniciante?

  • Renda fixa prefixada: Quedas nas taxas de DI sinalizam que títulos prefixados e Tesouro Prefixado tendem a valorizar no curto prazo, pois pagam cupons fixos mais altos que os novos papéis.
  • Indexados à Selic: Se o Banco Central confirmar novos cortes, o rendimento de aplicações atreladas ao CDI pode diminuir gradualmente, mas segue elevado em termos históricos.
  • Bolsa de valores: Juros menores costumam favorecer ações, já que reduzem o custo de capital das empresas. Contudo, incertezas externas podem gerar oscilações adicionais.
  • Dólar: Tensões geopolíticas e anúncios de tarifas costumam trazer pressão de valorização da moeda norte-americana, mas a trajetória final depende também do diferencial de juros entre Brasil e EUA.

Próximos gatilhos

  • Divulgação de novos dados de inflação no Brasil, que podem reforçar ou esfriar a expectativa de cortes na Selic.
  • Atualizações sobre o pacote tarifário dos EUA e possíveis retaliações brasileiras.
  • Discurso de autoridades do Federal Reserve, capaz de influenciar os Treasuries e, por consequência, a curva local.

Enquanto isso, o investidor pessoa física encontra um mercado de juros ainda elevado, mas já sujeito a ajustes finos conforme se aproxima a próxima reunião do Copom. A tarefa é acompanhar os indicadores de inflação e as sinalizações do Banco Central para calibrar expectativas, sem perder de vista o noticiário externo que adiciona volatilidade aos preços dos ativos.

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