Ibovespa volta aos 174 mil pontos com Vale em alta e recordes em Wall Street

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções15 horas atrás8 Visualizações

O Ibovespa encerrou a terça-feira (2) em alta de 1,16%, aos 174.197 pontos, interrompendo cinco pregões de queda. O avanço foi puxado pelo desempenho de Vale (VALE3) e pela boa maré em Wall Street, onde S&P 500 e Dow Jones renovaram máximas históricas.

Vale puxa a recuperação

Responsável por cerca de 12% da carteira teórica do índice, a Vale subiu 4,04%, negociada a R$ 85,00. O movimento acompanhou a valorização do contrato de minério de ferro para setembro na Bolsa de Dalian, que fechou em 786,5 yuans (US$ 116,26) a tonelada.

Para o investidor iniciante, lembrar: quando a commodity ganha força na China — principal compradora do minério brasileiro — as ações da mineradora costumam reagir rapidamente, influenciando todo o Ibovespa.

Dólar abaixo de R$ 5,10

No mercado de câmbio, o dólar à vista recuou 0,26%, para R$ 5,0095. A queda reflete a entrada de fluxo estrangeiro em busca de ativos de risco, num dia positivo para bolsas globais. Taxas de câmbio mais baixas aliviam pressões inflacionárias internas, o que, em última instância, pode influenciar decisões futuras sobre a taxa Selic.

Tarifas dos EUA entram no radar

O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas consideradas injustas. A medida ainda precisa passar por etapas formais antes de vigorar, mas já adiciona incerteza ao comércio bilateral.

Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump assinou redução de tarifa para derivados de aço e alumínio. A notícia impulsionou a siderúrgica CSN (CSNA3), que liderou os ganhos do dia (+8,85%).

Blue chips misturadas

  • Bradesco (BBDC4): +1,54%, reação após dois dias de queda gerados pela designação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos EUA.
  • Petrobras (PETR4; PETR3): fecharam no vermelho (−0,53% e −0,62%, respectivamente) acompanhando o recuo do petróleo Brent para a casa de US$ 96 o barril.

Cenário externo benigno

Nos Estados Unidos, o S&P 500 subiu 0,13% e o Dow Jones ganhou 0,45%. O apetite por tecnologia e expectativas sobre inteligência artificial sustentam a tendência. Na Europa, o Stoxx 600 avançou 0,66%, enquanto Ásia teve sessão de ganhos moderados.

Por que isso importa para quem investe

  • A forte influência de Vale mostra como ações ligadas a commodities podem alterar rapidamente o humor do Ibovespa.
  • Dólar próximo a R$ 5,00 alivia custos de importação e pode reduzir projeções de inflação, fator acompanhado de perto por quem aplica em renda fixa atrelada ao IPCA.
  • A possível tarifa de 25% dos EUA adiciona volatilidade e exige atenção redobrada de quem possui empresas exportadoras na carteira.
  • A redução de imposto sobre aço beneficiou siderúrgicas hoje; porém, mudanças tarifárias costumam ter efeito limitado se não forem confirmadas ou forem revertidas.

Com a agenda internacional dominando o pregão, o investidor deve monitorar novos desdobramentos comerciais e a trajetória das commodities, além dos próximos dados de inflação doméstica que podem mexer com as expectativas em relação à Selic.

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