São Paulo, 15 de abril de 2026 – A curva de juros futuros encerrou as negociações desta quarta-feira (14) com movimentos divergentes. Enquanto os contratos de curtíssimo prazo recuaram, as taxas de vencimentos médios e longos subiram, acompanhando o avanço dos rendimentos dos Treasuries norte-americanos e o clima de incerteza no Oriente Médio.
• DI para janeiro de 2027: caiu 30 pontos-base, passando de 13,990% para 13,960%.
• DI para janeiro de 2029: avançou de 13,210% para 13,220%.
• DI para janeiro de 2036: subiu de 13,425% para 13,470%.
Nos Estados Unidos, os yields dos títulos do Tesouro fecharam perto das máximas do dia. O retorno do papel de dois anos, considerado mais sensível à política monetária, passou de 3,751% para 3,761%, chegando a tocar 3,78% durante a sessão. O yield do Treasury de dez anos, referência global, avançou de 4,256% para 4,281%.
Investidores permaneceram atentos às negociações para um cessar-fogo permanente entre Estados Unidos e Irã. Pela manhã, uma autoridade iraniana informou à Reuters que o governo Trump ainda não confirmou a prorrogação da trégua firmada na semana passada por 15 dias. Mais tarde, Washington anunciou novas sanções contra Teerã, atingindo três pessoas, 17 entidades e nove embarcações. Entre os alvos está Mohammad Hossein Shamkhani, filho de Ali Shamkhani, morto em 28 de fevereiro em ataques conjuntos de EUA e Israel.
No cenário interno, a pesquisa Genial/Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno das eleições de outubro.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Entre os indicadores econômicos, o IGP-10 subiu 2,94% em abril, revertendo a queda de 0,24% em março e superando as projeções de mercado. Segundo a Fundação Getulio Vargas, o avanço reflete impactos diretos e indiretos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O varejo brasileiro registrou alta de 0,6% nas vendas em fevereiro ante janeiro, marcando novo recorde da série iniciada em 2000, embora abaixo da expectativa de crescimento de 1,0% apontada em pesquisa da Reuters.
À tarde, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou em seminário do JP Morgan, em Washington, que a autoridade monetária “não está satisfeita” com a elevação das expectativas de inflação para 2028, hoje em 3,60% – acima dos 3,50% apurados um mês atrás – e reforçou que a meta continuará em 3%. David acrescentou que o atual ciclo de corte da Selic é “de calibração”, mantendo a taxa básica em campo restritivo ao término do processo.