![Royalties de petróleo turbinam receitas do Rio, mas estudo aponta risco de “doença holandesa” 4 [Mercado Financeiro] Royalties de petróleo turbinam receitas do Rio, mas estudo aponta risco de “doença holandesa”](https://mlxc2yjmu1wd.i.optimole.com/cb:7DbH.3fd/w:1920/h:1280/q:mauto/f:best/https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/06/traderiniciante-1780599502.jpg)
A dependência crescente dos royalties de petróleo voltou ao centro do debate fiscal do Rio de Janeiro. Segundo estudo de Sérgio Gobetti e Luana Rebouças, a receita fluminense com a compensação paga pelas empresas que extraem petróleo saltou quase seis vezes acima da inflação nos últimos 25 anos. O valor passou de R$ 26 bilhões em 2025 para uma estimativa de até R$ 34 bilhões em 2026, impulsionado pela cotação internacional do barril.
Royalties são pagamentos feitos pelas petroleiras à União, estados e municípios como compensação pela exploração de recursos naturais. Como a produção offshore brasileira se expandiu nos últimos anos — especialmente no pré-sal — e o preço do petróleo subiu, o bolo de royalties acompanhou esse avanço.
O estudo alerta para sinais da chamada doença holandesa — conceito criado na década de 1970 para descrever o enfraquecimento de outros setores após a descoberta de grandes reservas de gás na Holanda. No caso fluminense, a corrosão aparece nos números da produção industrial.
Para Gobetti, o fenômeno no Rio é menos cambial — como ocorreu na experiência holandesa clássica — e mais relacionado a má gestão e corrupção das receitas extraordinárias.
O Supremo Tribunal Federal retomou o julgamento da lei de 2013 que redistribui os royalties, reduzindo a fatia dos chamados estados confrontantes (que têm litoral voltado para os campos marítimos). Se a regra já valesse:
O estado argumenta que a mudança desestabilizaria suas finanças. Já os defensores da nova lei alegam que a produção cresce o suficiente para compensar a menor participação fluminense.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
A recém-aprovada reforma tributária, que substituirá o ICMS pelo IBS, pode elevar a participação do Rio na arrecadação sobre consumo de 7% para 8,5%, segundo os estudos que embasaram a mudança. Caso se confirme, o novo imposto tende a diversificar a base de receitas estaduais, reduzindo parcialmente a dependência do petróleo.
Embora o tema pareça restrito à contabilidade pública, ele ecoa no dia a dia de quem investe:
O julgamento no STF foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino e não tem data para retomada. Até lá, permanece o modelo atual, em que o Rio e outros estados confrontantes ficam com mais de 50% do montante. Para o investidor, vale acompanhar:
Enquanto o assunto não se resolve, o estudo deixa um alerta claro: sem gestão mais eficiente e diversificação econômica, a bonança dos royalties pode transformar-se em vulnerabilidade para a segunda maior economia do país.
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