O Tesouro Reserva, novo título do Tesouro Direto criado para competir com a poupança e as “caixinhas” oferecidas por bancos e fintechs, saiu vencedor em todas as faixas de aplicação analisadas em uma simulação realizada pela Folha em parceria com Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno.
Quanto rende na prática
- Aplicação de R$ 20 mil por dois anos: diferença positiva de R$ 1.735 em relação à poupança.
- Para aportes de R$ 1 mil ou R$ 10 mil, o título também superou a caderneta em prazos de seis meses e um ano.
O cálculo utilizou o CDI over diário, referência para operações entre bancos e termômetro que costuma andar quase colado na Selic. Já a poupança continua presa à regra de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR), atualmente em 0,1687% ao mês, o que equivale a cerca de 8,33% ao ano.
Por que o resultado é diferente
Dois fatores explicam a distância de rendimentos:
- Juros altos: Com a Selic ainda em patamar elevado, investimentos atrelados ao CDI capturam quase a totalidade dessa taxa. A poupança, por lei, não acompanha essa escalada.
- Data de aniversário: A caderneta só credita rendimento a cada 30 dias. Resgatar um dia antes significa perder o mês inteiro, o que não ocorre no Tesouro Reserva.
Liquidez sem abrir mão da segurança
O Tesouro Reserva foi estruturado para permitir saque a qualquer momento, 24 horas por dia, mantendo o menor risco do mercado — o risco soberano, ou seja, o de calote do próprio governo federal.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Por isso, o título mira a fatia de investidores que mantêm sua reserva de emergência na poupança pela praticidade, mas se sentem incomodados com o baixo retorno.
Efeito dos custos e impostos
- Taxa de custódia: O Tesouro Direto cobra 0,20% ao ano sobre o saldo. Em CDBs ou “caixinhas” de bancos não existe essa tarifa, o que pode deixar o Tesouro Reserva ligeiramente para trás em aplicações muito superiores a R$ 10 mil.
- IOF: Qualquer resgate com menos de 30 dias sofre a incidência regressiva do IOF, que começa em 96% do lucro no primeiro dia e zera após o 30º. O impacto é o mesmo para Tesouro Reserva, CDBs e fundos.
- Come-cotas: Fundos de renda fixa sofrem uma retenção semestral automática de 15% sobre os ganhos, reduzindo o efeito dos juros compostos. Tesouro Reserva e CDBs não têm esse mecanismo.
Comparação com outras alternativas de curto prazo
- CDBs a 100% do CDI: Empatam com o Tesouro Reserva até R$ 10 mil, mas levam vantagem acima desse valor por não pagar custódia. Carregam, porém, o risco de crédito do banco emissor.
- Fundos DI: Alguns sem taxa de administração e com resgate imediato rivalizam em retorno, mas o come-cotas diminui a atratividade ao longo do tempo.
- Tesouro Selic: Oferece um “spread” sobre a Selic que, nos últimos dias, chegou a 0,0765% ao ano. Isso gera retorno maior, mas introduz a marcação a mercado — pequenas oscilações diárias que podem incomodar quem busca estabilidade total.
O que observar antes de montar a reserva
- Liquidez real: dinheiro precisa estar disponível sem carência.
- Risco: prioridade é segurança, não maximizar rentabilidade.
- Custos e impostos: pequenas tarifas podem corroer ganhos em prazos curtos.
- Disciplina: a reserva não deve cobrir gastos recorrentes; ela serve para emergências genuínas.
Com a chegada do Tesouro Reserva, investidores ganham mais uma opção de baixo risco e acesso simples para estacionar recursos de curto prazo. A decisão final deve levar em conta liquidez, segurança e impacto dos custos sobre o rendimento líquido, especialmente em um cenário de juros altos em que alternativas conservadoras podem entregar retornos significativamente diferentes.