Ibovespa sustenta alta e dólar cede apesar de tensão entre EUA e Irã

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções10 horas atrás8 Visualizações

O Ibovespa voltou a firmar terreno positivo nesta terça-feira (9) e fechou em alta de 0,57%, aos 169.634 pontos, contrariando a queda dos principais índices de Wall Street. O movimento se deu mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que “será necessário responder” ao Irã, acusado de derrubar um helicóptero Apache no Estreito de Ormuz.

Geopolítica não freou o humor em São Paulo

  • A declaração de Trump provocou uma rápida virada negativa nos mercados globais, mas o tom voltou a melhorar com relatos de avanço nas negociações de paz.
  • No mesmo momento, o petróleo Brent caiu quase 3%, a US$ 91,45 o barril. Para a Bolsa brasileira, preços de petróleo mais baixos tendem a pressionar Petrobras (PETR4), porém reduzem expectativas de inflação mundial, o que favorece papéis mais sensíveis a juros.
  • Enquanto o S&P 500 recuou 1,5% puxado por empresas de semicondutores, o Ibovespa encontrou suporte na rotação para bancos e varejo doméstico.

Comportamento do dólar

O dólar à vista chegou a tocar R$ 5,19 após a fala de Trump, mas terminou o dia em leve queda perto de R$ 5,17. Dois fatores explicam:

  • Alívio nos Treasuries norte-americanos, que reduziram o prêmio de risco internacional.
  • Reentrada de fluxo estrangeiro para ações e renda fixa locais, atraído pela taxa Selic em 14,5% ao ano—um diferencial ainda elevado frente a pares emergentes.

Para o investidor iniciante, vale lembrar que um dólar mais fraco tende a reduzir custos de importação e, no médio prazo, aliviar a inflação, mas também diminui a receita de exportadoras listadas na B3.

Ações em destaque

  • Itaú (ITUB4) subiu 1,5% e ajudou o índice a segurar a alta, beneficiado pelo recuo dos juros futuros.
  • Vale (VALE3) ficou estável (-0,1%) em dia de ajuste nos preços do minério de ferro.
  • Petrobras (PETR4) cedeu 0,6%, acompanhando a queda do Brent.
  • Braskem (BRKM5) disparou mais de 7% após anunciar novo CEO, mostrando como notícias corporativas pontuais podem sobrepor-se ao cenário externo.

Renda fixa respira

Depois de seis sessões de alta, as taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) recuaram até 10 pontos-base. O contrato para janeiro/2030 caiu para 14,82% ao ano. Quando os rendimentos futuros descem, o preço dos títulos públicos (como o Tesouro Prefixado) sobe, beneficiando quem já carrega esses papéis.

Para quem está começando, é importante entender que o movimento dos DIs reflete expectativas sobre a Selic. Alívio na curva indica aposta de que o Banco Central conseguirá conter a inflação sem precisar subir mais a taxa básica.

Próximos catalisadores

  • Nos EUA, balança comercial e atualização de expectativas para juros continuam no radar.
  • Da China, saem esta semana dados de inflação ao consumidor (CPI) e produtor (PPI), relevantes para as exportadoras brasileiras de commodities.
  • No Brasil, a divulgação do IPCA de maio, na próxima sexta-feira, poderá redefinir as apostas para a Selic e, portanto, mexer tanto com o câmbio quanto com a Bolsa.

Mesmo diante de ruídos geopolíticos, o mercado doméstico mostra resiliência ao se apoiar em juros altos, fluxo externo e notícias corporativas pontuais. Para o investidor comum, diversificação e atenção ao calendário econômico seguem sendo os melhores antídotos contra dias de maior volatilidade.

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