Brasileiros acima de 60 anos transformam imóveis em fonte de renda no Airbnb

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro12 horas atrás8 Visualizações

O aluguel por temporada deixou de ser assunto restrito a jovens empreendedores. Dados do Airbnb indicam que, em 2025, mais de 76 mil brasileiros com 60 anos ou mais anunciavam imóveis na plataforma, um salto de 155% desde 2020.

Por que tantos idosos entraram nesse mercado?

  • Queda de renda após a aposentadoria – benefícios previdenciários nem sempre acompanham a inflação, pressionando o orçamento.
  • Patrimônio imobiliário já constituído – quem comprou imóvel décadas atrás agora busca rentabilizar o ativo.
  • Digitalização – o percentual de pessoas com 60+ que usam internet saltou de 25% para quase 70% em oito anos, segundo o IBGE.
  • Custo de vida mais alto – gastos médicos e reajustes de condomínio pesam mais nessa faixa etária.

Aluguel de curta duração x aluguel tradicional

No contrato convencional, o proprietário costuma receber um valor fixo todo mês, semelhante a um “cupom” de renda fixa. Já na locação de temporada, o fluxo de caixa é variável e depende de taxa de ocupação, diárias e custos extras — limpeza, reparos e comissões da plataforma.

Em épocas de alta demanda turística, o retorno pode superar o aluguel longo; na baixa temporada, a vacância reduz o ganho. Essa volatilidade se assemelha à variação de dividendos em ações: não há garantia de receita estável.

Contexto macroeconômico

O movimento cresce num ambiente em que a Selic permanece em dois dígitos e a renda fixa voltou a atrair investidores. Ainda assim, muitos aposentados preferem gerar fluxo adicional em vez de vender o imóvel para aplicar em títulos públicos ou CDBs. A locação temporária oferece renda em reais, protegendo contra parte da inflação sem expor o patrimônio ao câmbio, como ocorre com aplicações em dólar.

Brasileiros acima de 60 anos transformam imóveis em fonte de renda no Airbnb - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Aspectos regulatórios em discussão

  • Decisão do STJ exige aval de dois terços dos condôminos para aluguel de temporada em prédios residenciais. O tema ainda gera debate jurídico.
  • Condomínios podem restringir horários de check-in, limitar número de hóspedes e exigir cadastro prévio, impactando a rentabilidade.
  • Anfitriões precisam recolher IRPF sobre a receita, além de possível ISS municipal.

Riscos e custos que o investidor iniciante deve enxergar

  • Vacância: variação sazonal de demanda turística.
  • Manutenção: enxoval, limpeza e eventual reforma mais frequente.
  • Taxas e comissões: diferem conforme serviço de gestão contratado.
  • Seguro e responsabilidade civil: coberturas obrigatórias em alguns edifícios.

Envelhecimento populacional e oportunidades

O Brasil já conta com 35,4 milhões de pessoas acima de 60 anos. Para parte desse grupo, a locação de curta duração vem suprindo a lacuna entre a aposentadoria oficial e o custo de vida urbano. A tendência também pressiona o mercado imobiliário a adaptar prédios, elevadores e serviços de segurança a um público mais maduro e tecnicamente conectado.

Enquanto o debate regulatório avança, o número de anfitriões idosos sugere que tecnologia e patrimônio seguirão aliados na busca por geração de renda complementar.

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