O Brasil recebeu em 2025 o maior volume de recursos de empresas chinesas no mundo, de acordo com levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Foram US$ 6,1 bilhões aplicados em 52 projetos, alta de 45% sobre 2024 e o maior número já registrado pelo estudo.
Os investimentos se espalharam por energia elétrica (29,5%), mineração (29%), indústria automobilística (15,8%), petróleo (13,3%) e tecnologia da informação (6,3%).
No segmento elétrico, tradicional destino do capital chinês desde 2012, os aportes somaram US$ 1,79 bilhão, metade dos projetos do ano, voltados sobretudo a usinas solares, eólicas, hidrelétricas e expansão de linhas de transmissão.
A mineração teve crescimento inédito: US$ 1,76 bilhão, mais que o triplo de 2024. O destaque foi a compra da canadense Equinox pela chinesa CMOC por US$ 1 bilhão, concluída em dezembro.
Entre as iniciativas industriais, duas montadoras – BYD e GWM – inauguraram fábricas de automóveis, enquanto plataformas de entrega ampliaram operações no país. Segundo o vice-presidente do Bank of China no Brasil, Hsia Hua Sheng, não apenas as grandes corporações, mas também seus fornecedores estão instalando unidades locais, o que tende a elevar o número de projetos nos próximos anos.
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Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC e autor do estudo, atribui o movimento a fatores como o tamanho do mercado consumidor, base industrial consolidada, sistema financeiro estruturado, abundância de recursos naturais e oferta de energia limpa. “Outros países se fecharam, principalmente os EUA, e o Brasil passou a ser visto como aberto e seguro”, afirma.
Desde 2021, o país figura anualmente entre os cinco principais destinos globais do investimento chinês, tendência reforçada pelo resultado de 2025.