Estados do Meio-Oeste e do Sul lideram ranking de acessibilidade imobiliária nos EUA

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios3 horas atrás8 Visualizações

O relatório 2026 da Realtor.com, que avalia os 50 estados dos EUA mais o Distrito de Columbia, apontou que Meio-Oeste e Sul oferecem hoje o melhor equilíbrio entre preço de moradia e volume de novas construções. Indiana assumiu a liderança com nota 76,3 numa escala de 0 a 100, enquanto Nova York caiu para a última posição.

Como o estudo mede acessibilidade

A nota final atribui peso igual a dois fatores:

  • Preço em relação à renda: o gasto mensal com hipoteca não deve ultrapassar 30% da renda familiar mediana. Em Indiana, a parcela exigiria 28% de um salário anual médio de US$ 71.469.
  • Ritmo de construção: estados que aprovam e entregam mais projetos ganham pontos, por ajudarem a aliviar a falta de oferta — principal razão citada para o encarecimento das casas nos EUA.

Quem subiu e quem caiu

  • Top 5 notas mais altas
    Indiana (A), Iowa (A), Carolina do Sul (A), Texas (A-) e Carolina do Norte/Nebraska (B+).
  • Maiores avanços
    Delaware e Utah saltaram 12 posições na lista.
  • Piores notas
    Nova York, Massachusetts, Rhode Island, Havaí, Califórnia e Connecticut receberam avaliação F.
  • Maiores quedas
    Alabama, Maryland e Nova Jersey caíram oito colocações cada.

Por que Meio-Oeste e Sul saem na frente

Essas regiões contam com terrenos mais baratos, legislação de zoneamento menos rígida e custos de construção inferiores aos de litorais como Califórnia e Nova York. Para o investidor, isso significa que a oferta de imóveis tende a crescer mais rápido, moderando preços mesmo em um cenário de juros hipotecários ainda elevados.

Efeito macro: juros, inflação e dólar

As taxas hipotecárias norte-americanas seguem próximas dos maiores níveis em duas décadas após a sequência de altas dos Fed Funds nos EUA. Juros mais altos elevam o valor das prestações, mas a maior oferta de unidades em estados bem avaliados ajuda a contrabalançar esse impacto no bolso do comprador.

Estados do Meio-Oeste e do Sul lideram ranking de acessibilidade imobiliária nos EUA - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

O que observar daqui para frente

  • Pressão sobre grandes centros: Estados com nota F continuam enfrentando preços proibitivos, terreno escasso e obstáculos regulatórios, fatores que podem manter a migração interna para regiões mais baratas.
  • Mercado de construção: Construtoras atuantes no Meio-Oeste e no Sul podem se beneficiar do ambiente mais favorável para novos projetos, aumentando seu pipeline de entregas.
  • Investidor brasileiro: Quem aplica em fundos imobiliários globais (REITs) ou compra imóveis nos EUA deve acompanhar onde a oferta cresce e onde o custo continua estrangulado, pois isso influencia vacância, rentabilidade e valorização.

Com a disparidade regional mantida, o relatório indica que a solução para o déficit habitacional norte-americano pode vir menos de cortes regulatórios generalizados e mais do incentivo à construção em áreas com espaço e demanda latente. Enquanto isso, estados costeiros terão de equilibrar regras de zoneamento, custos e necessidade de novas moradias para evitar perder residentes — e investidores — para o interior do país.

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