M&M’s terá versão sem corantes artificiais em agosto, mas tons de azul ficam de fora

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios10 horas atrás8 Visualizações

A Mars, dona dos tradicionais confeitos M&M’s, confirmou que começará a vender uma versão livre de corantes artificiais em agosto. O movimento atende às novas exigências sanitárias dos Estados Unidos e marca a maior alteração na receita do produto em 85 anos.

O que muda nos M&M’s

  • Não haverá mais uso de corantes derivados de petróleo.
  • Cores como vermelho e amarelo foram reproduzidas com fontes naturais — beterraba e cúrcuma.
  • Os tons de azul ficaram de fora: a Mars usava espirulina, um extrato de alga que pode custar mais de US$ 100 por libra (cerca de 0,45 kg) na forma concentrada.
  • O pigmento azul também gerou problemas de entupimento nos bicos de spray da linha de produção, criando risco operacional.

Por que a mudança importa para o mercado

O caso evidencia como pressões regulatórias e de saúde pública podem elevar o custo de insumos e mexer com margens de grandes companhias do setor de alimentos. Para efeito de comparação, a cúrcuma, usada para o tom amarelo, sai entre US$ 9 e US$ 11 por libra, enquanto a espirulina concentrada supera US$ 100. A diferença ajuda a explicar por que a empresa decidiu, por ora, lançar uma paleta sem o azul.

A Mars já gastou “milhões de dólares” em pesquisa para substituir os corantes, segundo executivos ouvidos pelo Wall Street Journal. Embora o valor exato não tenha sido revelado, o desembolso adicional pode pressionar custos no curto prazo — um ponto de atenção para investidores que acompanham empresas listadas do setor.

Regulação em foco

A mudança acontece após a Secretaria de Saúde e Serviços Humanos (HHS) dos EUA, comandada por Robert F. Kennedy Jr., incluir a Mars em uma lista de 27 empresas que se comprometeram a eliminar corantes artificiais. O governo federal já baniu quatro pigmentos — entre eles o Red No. 3 — e discute restringir outros seis, incluindo o Blue 1 e o Blue 2.

A lei norte-americana se apoia na Cláusula Delaney, que determina a proibição de aditivos alimentares ligados a câncer em humanos ou animais. Esse ambiente regulatório tende a acelerar investimentos em alternativas naturais, mas também pode aumentar a volatilidade de custos.

M&M’s terá versão sem corantes artificiais em agosto, mas tons de azul ficam de fora - Imagem do artigo original

Imagem: Robert McGreevy FOXBusiness

Reflexos para investidores brasileiros

Embora a Mars não seja listada em Bolsa, a mudança sinaliza um movimento global de adequação ESG (ambiental, social e governança) no setor alimentício. Companhias brasileiras e multinacionais presentes no País podem enfrentar desafios semelhantes:

  • Matérias-primas mais caras — pigmentos naturais costumam ter cadeia produtiva menor e preço mais volátil.
  • Capex incremental — ajustes em maquinário e processos, como os bicos de spray citados, podem exigir novos investimentos.
  • Reprecificação de produtos — em cenários de custos em alta, empresas decidem entre absorver a despesa ou repassar parte ao consumidor, afetando inflação de alimentos.

Para o investidor de varejo, a notícia reforça a importância de monitorar fatores não financeiros — como mudanças regulatórias e preferências de consumo — ao analisar empresas do setor de alimentos e bebidas.

O lançamento está previsto para coincidir com o aniversário de 85 anos dos M&M’s, mostrando que até marcas icônicas precisam se adaptar às novas exigências de saúde e segurança alimentar.

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