Taxas do Tesouro Direto recuam com alívio geopolítico e petróleo mais barato

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa12 horas atrás28 Visualizações

As taxas oferecidas pelo Tesouro Direto inverteram o movimento de alta visto no início desta segunda-feira (22) e passaram a operar em queda no começo da tarde, acompanhando o recuo do petróleo após sinalização de trégua nas tensões entre Estados Unidos e Irã.

O que mudou no front geopolítico

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que as conversas com Teerã “criam boa base para um acordo de paz definitivo”. Paralelamente, o Tesouro dos EUA liberou, por 60 dias, a compra de petróleo bruto e derivados de origem iraniana. A perspectiva de maior oferta global derrubou as cotações do barril e, por consequência, reduziu a expectativa de inflação embutida nos prêmios de mercado.

Impacto sobre as taxas do Tesouro Direto

  • Prefixado 2029: caiu de 14,91% para 14,78% ao ano
  • Prefixado 2032: de 14,90% para 14,74% ao ano
  • Prefixado com juros semestrais 2037: de 14,72% para 14,56% ao ano
  • IPCA+ 2032: recuou de 8,56% para 8,44% + IPCA
  • IPCA+ 2040: de 7,54% para 7,50% + IPCA
  • IPCA+ 2050: de 7,16% para 7,15% + IPCA

Apesar do alívio, as taxas seguem em patamares elevados quando comparadas à média dos últimos anos, refletindo a percepção de risco fiscal e a incerteza sobre o rumo da política monetária brasileira.

Foco do mercado está na Selic projetada

Mais cedo, o Boletim Focus — pesquisa semanal do Banco Central com economistas — já havia colocado pressão adicional sobre os juros ao elevar, pela terceira semana seguida, a projeção de Selic para o fim de 2026: de 13,75% para 14,00% ao ano. Na prática, o mercado passou a precificar apenas um último corte de 0,25 ponto-percentual a partir da taxa atual de 14,25%.

Como o petróleo influencia a curva de juros

Matérias-primas energéticas pesam diretamente no índice de preços ao consumidor, pois energia e combustíveis afetam fretes, alimentos e a cadeia industrial. Quando o mercado calcula menor inflação futura, a compensação exigida nos títulos públicos — sobretudo os atrelados ao IPCA — tende a diminuir, provocando queda nos rendimentos.

Reflexo nos demais ativos

O alívio geopolítico elevou o apetite por risco e estimulou o Ibovespa, que avançava na mesma faixa de horário acompanhando as bolsas de Nova York. Uma menor percepção de risco global costuma favorecer ativos de renda variável e pressionar o dólar, embora movimentos cambiais dependam também de fatores internos, como as contas públicas e a trajetória da Selic.

O que observar daqui para frente

  • Novos capítulos das conversas EUA-Irã podem trazer volatilidade ao petróleo e, por tabela, aos títulos indexados à inflação.
  • Relatórios de inflação e a ata do Copom serão monitorados para confirmar se o ciclo de corte da Selic está realmente próximo do fim.
  • Para quem acompanha Tesouro Direto, oscilações de curto prazo nas taxas são naturais; entender a relação entre cenário macroeconômico e marcação a mercado ajuda a evitar decisões precipitadas.

Por ora, a combinação de petróleo em queda e expectativa de fim de afrouxamento monetário tirou as taxas dos títulos públicos de suas máximas, mas o ambiente continua sensível a novos eventos externos e às discussões fiscais internas.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...