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As taxas oferecidas pelo Tesouro Direto inverteram o movimento de alta visto no início desta segunda-feira (22) e passaram a operar em queda no começo da tarde, acompanhando o recuo do petróleo após sinalização de trégua nas tensões entre Estados Unidos e Irã.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que as conversas com Teerã “criam boa base para um acordo de paz definitivo”. Paralelamente, o Tesouro dos EUA liberou, por 60 dias, a compra de petróleo bruto e derivados de origem iraniana. A perspectiva de maior oferta global derrubou as cotações do barril e, por consequência, reduziu a expectativa de inflação embutida nos prêmios de mercado.
Apesar do alívio, as taxas seguem em patamares elevados quando comparadas à média dos últimos anos, refletindo a percepção de risco fiscal e a incerteza sobre o rumo da política monetária brasileira.
Mais cedo, o Boletim Focus — pesquisa semanal do Banco Central com economistas — já havia colocado pressão adicional sobre os juros ao elevar, pela terceira semana seguida, a projeção de Selic para o fim de 2026: de 13,75% para 14,00% ao ano. Na prática, o mercado passou a precificar apenas um último corte de 0,25 ponto-percentual a partir da taxa atual de 14,25%.
Matérias-primas energéticas pesam diretamente no índice de preços ao consumidor, pois energia e combustíveis afetam fretes, alimentos e a cadeia industrial. Quando o mercado calcula menor inflação futura, a compensação exigida nos títulos públicos — sobretudo os atrelados ao IPCA — tende a diminuir, provocando queda nos rendimentos.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O alívio geopolítico elevou o apetite por risco e estimulou o Ibovespa, que avançava na mesma faixa de horário acompanhando as bolsas de Nova York. Uma menor percepção de risco global costuma favorecer ativos de renda variável e pressionar o dólar, embora movimentos cambiais dependam também de fatores internos, como as contas públicas e a trajetória da Selic.
Por ora, a combinação de petróleo em queda e expectativa de fim de afrouxamento monetário tirou as taxas dos títulos públicos de suas máximas, mas o ambiente continua sensível a novos eventos externos e às discussões fiscais internas.
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