Milho recua em Chicago pelo 3º dia seguido, pressionado por dólar forte e petróleo em queda

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções19 horas atrás12 Visualizações

Os futuros de milho negociados na Chicago Board of Trade (CBOT) encerraram a terça-feira (23) em queda de 1,75 centavo, a US$ 4,0975 por bushel, completando três sessões consecutivas de recuo.

Pressão do dólar e do petróleo

Analistas destacam dois vetores principais:

  • Dólar mais forte – Como as commodities agrícolas são precificadas em moeda norte-americana, a valorização do dólar reduz o poder de compra de importadores e tende a derrubar cotações internacionais.
  • Petróleo em baixa – Milho e soja são usados na produção de biocombustíveis (etanol de milho e biodiesel). Quando o barril recua, a demanda projetada por grãos para energia costuma arrefecer, pressionando os preços.

Em meio ao movimento, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reportou a venda de 100 mil toneladas de milho norte-americano para o México, fato que limitou perdas ao indicar alguma firmeza na demanda externa.

Clima nos EUA divide o mercado

Do lado da oferta, o USDA manteve em 68% a classificação de “boa a excelente” para a safra norte-americana. Chuvas abundantes e temperaturas amenas no Meio-Oeste, típicas de um cenário de El Niño, sustentam a visão de produtividade elevada, o que também pressiona os preços.

Por outro lado, operadores acompanham relatos de excesso de umidade em algumas regiões – fator que pode retardar o desenvolvimento das plantas. O mercado, portanto, se equilibra entre um possível viés altista por clima adverso e um viés baixista ditado pelo ambiente macro: dólar firme e expectativa de juros mais altos nos EUA.

Milho recua em Chicago pelo 3º dia seguido, pressionado por dólar forte e petróleo em queda - Imagem do artigo original

Imagem: Reuters

Relevância para o investidor brasileiro

O milho negociado em Chicago serve de referência para contratos futuros na B3 e para exportadores locais. Quando a cotação externa cai:

  • Empresas exportadoras de grãos podem ver margens comprimidas, sobretudo se o dólar/real não compensar a queda internacional.
  • Indústrias de proteína animal, que usam milho na ração, tendem a se beneficiar de custos menores, o que pode refletir nos resultados de frigoríficos listados em Bolsa.
  • Investidores de renda variável e de fundos atrelados a commodities devem acompanhar a correlação entre CBOT e preços internos para avaliar impactos em empresas do agronegócio.

Para quem opera contratos futuros ou acompanha ETFs de commodities, vale observar que movimentos persistentes são frequentemente guiados pela dinâmica de juros e câmbio. Um Federal Reserve mais duro – cenário citado pelos analistas – tende a manter o dólar valorizado, fator tradicionalmente baixista para grãos.

Outras referências do dia

  • Soja: praticamente estável, a US$ 11,4175/bushel, após duas quedas.
  • Trigo: recuo de 10,50 centavos, a US$ 5,97/bushel.

Mesmo com a sequência de baixas, o mercado de milho segue atento a novos dados de clima e demanda. Para o investidor iniciante, entender como variáveis externas — câmbio, petróleo e política monetária — afetam as commodities é passo importante antes de qualquer decisão de alocação.

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