Bancos ainda testam inteligência artificial, mas ampliam gasto em tecnologia em 2026

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro1 mês atrás62 Visualizações

Os bancos brasileiros já falam em inteligência artificial (IA) há alguns anos, mas a maior parte ainda não passou da fase de testes. De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, 60% das instituições estão em estágio inicial de adoção — ou seja, experimentando casos de uso antes de escalar a ferramenta.

IA ganha espaço no orçamento, mas ainda falta escala

Cloud computing e inteligência artificial generativa (GenAI) aparecem como prioridade para 84% dos bancos. Mesmo assim, o desafio, segundo Sérgio Biagini, líder de setor bancário na Deloitte, é transformar experimentos em ganhos de eficiência e melhor experiência para o cliente. Em outras palavras, sair do laboratório e impactar a operação do dia a dia.

Para 2026, o orçamento total de tecnologia do sistema bancário deve chegar a R$ 50,4 bilhões, alta de quase 8% sobre os R$ 46,8 bilhões de 2025. No acumulado de cinco anos, os valores aplicados em TI cresceram 58%.

O que isso significa para o investidor?

  • Competitividade bancária: quem conseguir escalar IA tende a reduzir custos operacionais e melhorar margens, ponto que o mercado costuma precificar em bolsas.
  • Pressão por inovação: fintechs já nascem digitais; bancos tradicionais precisam acelerar para não perder participação, o que pode demandar mais investimentos no curto prazo.
  • Impacto em lucros: gastos maiores em TI podem afetar resultados trimestrais agora, mas o objetivo é aumentar eficiência no futuro. Investidores iniciantes devem acompanhar os balanços para ver se as despesas tecnológicas se convertem em receitas.

Transações cada vez mais digitais

A pesquisa mostra que 83% das operações bancárias no Brasil já ocorrem pelos canais digitais (mobile ou internet banking). Só o aplicativo no celular registrou alta de 169% em cinco anos, alcançando 187,5 bilhões de transações. Entre os usuários digitais, 76% concentram mais de 80% das movimentações em um único canal — os chamados heavy users.

Para o correntista, isso significa menos idas à agência e, potencialmente, tarifas menores à medida que o atendimento digital se consolida. Para o investidor, a digitalização massiva reforça a importância de avaliar a capacidade tecnológica dos bancos ao analisar ações do setor.

Próximos passos: de testes a maturidade

Com a combinação de orçamento crescente e demanda dos clientes por serviços rápidos e personalizados, o setor bancário entra em um novo ciclo de maturidade tecnológica. A expectativa é que, nos próximos anos, soluções de IA saiam do status de prova de conceito e passem a impactar diretamente crédito, prevenção a fraudes e atendimento.

Embora a adoção plena ainda não tenha data marcada, o movimento indica que a relação entre bancos, consumidores e investidores será cada vez mais influenciada pela capacidade de transformar dados em decisões automatizadas. Para quem acompanha o mercado, vale monitorar como cada instituição equilibra investimento, inovação e retorno financeiro.

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