Leto Capital planeja mais de R$ 1 bi em novos FIDCs e aposta em securitização com juros altos

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa2 minutos atrás23 Visualizações

A Leto Capital, gestora que herdou a área de crédito da JGP, avalia 22 operações de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) que somam R$ 7,9 bilhões. A meta é colocar mais de R$ 1 bilhão desses fundos no mercado nos próximos meses, segundo o diretor de investimentos Alexandre Muller.

Por que os FIDCs viraram protagonistas

  • Crescimento acelerado: o patrimônio do setor aproxima-se de R$ 1 trilhão.
  • Juros ainda altos: com o custo do dinheiro elevado, empresas médias enfrentam taxas pouco competitivas para emitir debêntures ou captar em bancos.
  • Solução sob medida: ao transformar recebíveis em lastro, o FIDC permite acessar recursos sem ampliar alavancagem bancária tradicional.
  • Vantagem fiscal: o investidor não sofre o come-cotas, cobrança semestral que reduz o rendimento em fundos de renda fixa convencionais.

O que é um FIDC, afinal?

O FIDC compra direitos de recebimento de uma empresa — duplicatas, boletos, carnês ou contratos de cartão, por exemplo — e emite cotas para captar recursos. Quem adquire essas cotas passa a receber os juros pagos pelos devedores originais. A estrutura costuma ter:

  • Cotas sênior e subordinada: as subordinadas absorvem as primeiras perdas, funcionando como “colchão” de segurança.
  • Garantias específicas: fiança, seguro ou excesso de lastro, montados caso a caso.
  • Prazo fechado: diferente de um fundo DI, os resgates ocorrem só em datas pré-definidas, o que reduz risco de liquidez.

Empresas médias buscam alternativa ao mercado de capitais

Segundo Muller, companhias de porte intermediário já sentem dificuldade para emitir títulos convencionais em um cenário de juros básicos elevados e spreads mais largos. “Elas possuem bons recebíveis, mas não encontram demanda para debêntures clássicas”, explica o gestor. A securitização via FIDC aparece como opção para manter projetos e capital de giro sem pressionar o balanço.

Bancos mais seletivos, demanda do investidor em alta

A oferta de crédito bancário desacelerou após regras de capital mais rígidas e receio de inadimplência. Ao mesmo tempo, investidores institucionais e pessoas físicas buscam alternativas ao CDI, pressionado pela Selic que começa a ceder lentamente. Nesse vácuo, os FIDCs oferecem:

  • Spreads ainda atraentes frente a CDBs de grandes bancos;
  • Estrutura diversificada — cada fundo carrega dezenas ou centenas de contratos;
  • Isenção de IOF e sem come-cotas, mantendo rendimento líquido mais previsível.

E as grandes empresas?

Para grupos de capital aberto, o mercado de debêntures continua acessível, mas Muller projeta menor apetite no segundo semestre. A incerteza fiscal, o risco de manutenção de juros elevados por mais tempo e o ambiente pré-eleitoral tendem a frear novos investimentos e emissões robustas.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Riscos que o investidor não pode ignorar

  • Inadimplência concentrada: embora os eventos recentes tenham tido impacto menor que em 2023, a frequência aumentou.
  • Liquidez limitada: cotas de FIDC não contam com mercado secundário amplo; sair antes do vencimento pode ser difícil.
  • Análise técnica complexa: é preciso entender a qualidade dos recebíveis, a estrutura de subordinação e as garantias.

Novos produtos na prateleira: ETFs de crédito

A Leto pretende lançar, em cerca de um mês, um ETF lastreado em um novo índice de debêntures aceitas como garantia de operações na B3. A ideia é permitir que gestoras utilizem esses papéis como margem. Hoje, o plano enfrenta tributação de 25% sobre o ganho de capital — há negociações para reduzir a alíquota e atrair pessoas físicas.

Também estão em discussão incentivos fiscais para ETFs de infraestrutura, segmento em que as debêntures preservam isenção para o investidor direto, mas não para veículos de índice.

O que observar daqui para frente

  • Ajustes fiscais em 2025–2027, apontados por Muller como decisivos para uma queda consistente dos juros;
  • A evolução dos spreads de crédito privado — já recuaram após o pico entre fevereiro e março;
  • Eventual mudança na tributação de ETFs de crédito, que pode ampliar o acesso de pessoas físicas.

Com a Selic avançando para um ciclo de estabilidade ainda elevada e a pressa das empresas em alongar dívidas, o investidor vê surgir mais ofertas estruturadas. Entender o funcionamento dos FIDCs e o risco de cada camada de cota torna-se essencial antes de colocar dinheiro nesse mercado.

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