![Leto Capital planeja mais de R$ 1 bi em novos FIDCs e aposta em securitização com juros altos 4 [Renda Fixa] Leto Capital planeja mais de R$ 1 bi em novos FIDCs e aposta em securitização com juros altos](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1782994354.webp)
A Leto Capital, gestora que herdou a área de crédito da JGP, avalia 22 operações de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) que somam R$ 7,9 bilhões. A meta é colocar mais de R$ 1 bilhão desses fundos no mercado nos próximos meses, segundo o diretor de investimentos Alexandre Muller.
O FIDC compra direitos de recebimento de uma empresa — duplicatas, boletos, carnês ou contratos de cartão, por exemplo — e emite cotas para captar recursos. Quem adquire essas cotas passa a receber os juros pagos pelos devedores originais. A estrutura costuma ter:
Segundo Muller, companhias de porte intermediário já sentem dificuldade para emitir títulos convencionais em um cenário de juros básicos elevados e spreads mais largos. “Elas possuem bons recebíveis, mas não encontram demanda para debêntures clássicas”, explica o gestor. A securitização via FIDC aparece como opção para manter projetos e capital de giro sem pressionar o balanço.
A oferta de crédito bancário desacelerou após regras de capital mais rígidas e receio de inadimplência. Ao mesmo tempo, investidores institucionais e pessoas físicas buscam alternativas ao CDI, pressionado pela Selic que começa a ceder lentamente. Nesse vácuo, os FIDCs oferecem:
Para grupos de capital aberto, o mercado de debêntures continua acessível, mas Muller projeta menor apetite no segundo semestre. A incerteza fiscal, o risco de manutenção de juros elevados por mais tempo e o ambiente pré-eleitoral tendem a frear novos investimentos e emissões robustas.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
A Leto pretende lançar, em cerca de um mês, um ETF lastreado em um novo índice de debêntures aceitas como garantia de operações na B3. A ideia é permitir que gestoras utilizem esses papéis como margem. Hoje, o plano enfrenta tributação de 25% sobre o ganho de capital — há negociações para reduzir a alíquota e atrair pessoas físicas.
Também estão em discussão incentivos fiscais para ETFs de infraestrutura, segmento em que as debêntures preservam isenção para o investidor direto, mas não para veículos de índice.
Com a Selic avançando para um ciclo de estabilidade ainda elevada e a pressa das empresas em alongar dívidas, o investidor vê surgir mais ofertas estruturadas. Entender o funcionamento dos FIDCs e o risco de cada camada de cota torna-se essencial antes de colocar dinheiro nesse mercado.
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