O governo dos Estados Unidos avisou que não renovará o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) na data de revisão prevista e, em vez disso, buscará tratados bilaterais com cada vizinho. A mensagem, confirmada por um alto funcionário da administração Trump, aciona a chamada “cláusula de pôr-do-sol”: o pacto continua valendo, mas passa a ser reavaliado ao longo de um período de até dez anos.
O que está em jogo
- Déficit comercial: A Casa Branca considera que o USMCA não limitou suficientemente o saldo negativo dos EUA com Canadá e México.
- Regras de origem: Washington quer endurecer critérios que determinam quanto de um produto precisa ser fabricado na região para receber tarifa zero.
- Acesso a mercados: Entre os pontos citados estão as restrições canadenses ao setor lácteo e as ameaças mexicanas a produtos de milho norte-americanos.
- Poder de retirada: Mesmo antes de 10 anos, o presidente pode abandonar o acordo, aumentando a pressão nas mesas de negociação.
Por que o investidor deve acompanhar
Canadá e México são, juntos, os maiores compradores de bens produzidos nos EUA e estão entre os três principais fornecedores ao mercado norte-americano. Qualquer tensão nessa rota comercial costuma refletir em:
- Dólar: incertezas sobre fluxos de importação e exportação elevam a busca por proteção na moeda norte-americana, o que pode pressionar o câmbio em países emergentes, Brasil incluído.
- Commodities: Milho, aço e produtos do agronegócio podem sofrer volatilidade, dada a relevância de México e Canadá nesses mercados.
- Humor global: Tratados comerciais afetam expectativas de crescimento e, por tabela, ativos de renda variável e títulos de dívida.
O que muda agora
Embora o USMCA permaneça em vigor, as partes passam a negociar ajustes específicos. Segundo autoridades norte-americanas, as conversas com o México começam em 20 de julho, com foco em trabalho, meio ambiente, propriedade intelectual e, sobretudo, regras de origem para a indústria automotiva. Já o Canadá, que reagiu a tarifas dos EUA com medidas próprias, é visto por Washington como “em posição diferente”, o que pode tornar o processo mais lento.
Termos para ter no radar
- Déficit comercial: diferença entre o que um país importa e exporta. Nos EUA, o governo atual usa esse indicador como métrica de êxito nos acordos.
- Regras de origem: critérios que definem o percentual de componentes regionais exigido para que um produto tenha tarifa preferencial.
- Cláusula de pôr-do-sol: dispositivo que obriga a revisão periódica de um tratado e permite encerrar sua vigência se as partes não concordarem em renová-lo.
Possíveis reflexos para o Brasil
Embora o anúncio não envolva diretamente o Mercosul, investidores brasileiros devem observar:
Imagem: Eric Revell FOXBusiness
- Fluxos de capital: maior aversão a risco internacional pode influenciar taxas de juros domésticas e valorização do dólar.
- Preços de grãos: mudanças nas compras mexicanas de milho dos EUA podem alterar o equilíbrio global e, indiretamente, impactar cotações recebidas por produtores brasileiros.
- Cadeias automotivas: ajustes nas regras de origem norte-americanas podem realocar investimentos de montadoras e autoparts, afetando fornecedores globais.
Por ora, o mercado monitora se EUA, Canadá e México optarão por reformar o atual pacto ou migrar completamente para acordos separados. Até lá, o USMCA segue válido, mas o sinal de alerta para novas disputas comerciais já foi acionado.