Bitcoin encosta em US$ 63 mil antes do fechamento semanal, mas histórico das segundas-feiras preocupa

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas20 horas atrás33 Visualizações

O preço do Bitcoin (BTC) passou o sábado encostado em US$ 63,4 mil – máxima das últimas duas semanas – e entrou no domingo em consolidação perto de US$ 62,7 mil. O patamar coincide com a média móvel simples de 200 semanas, um dos indicadores técnicos mais acompanhados por analistas de longo prazo.

Por que o nível de 200 semanas importa

A média móvel de 200 semanas funciona como uma régua do mercado: quando o preço está acima, costuma indicar tendência de alta estrutural; quando está abaixo, sinaliza fraqueza. No momento, BTC tenta transformar essa faixa em suporte. Se conseguir, a leitura do mercado tende a ficar mais construtiva; se perder, cresce o risco de nova rodada de vendas.

Segundas-feiras têm sido um problema

Um dos pontos de alerta é o comportamento recente do ativo no primeiro pregão da semana. Segundo o trader identificado como Killa, as últimas sete segundas-feiras foram “absolutamente terríveis” para o Bitcoin, registrando quedas relevantes. Com o feriado prolongado nos Estados Unidos – que reduziu a liquidez nos livros de ordens –, parte do avanço de sábado foi atribuída a um short squeeze: US$ 167 milhões em posições vendidas foram liquidadas em 24 horas, conforme a plataforma CoinGlass.

ETFs voltam a receber aportes

Apesar do receio de curto prazo, há sinais positivos no fluxo de capitais. Os ETFs à vista de Bitcoin listados nos EUA interromperam uma sequência de seis dias de resgates e captaram US$ 224 milhões na quinta-feira, após saídas que somaram cerca de US$ 2,4 bilhões. Para muitos analistas, a volta do dinheiro institucional é um indicativo de que investidores enxergam preços mais baixos como oportunidade de recomposição de carteira.

Ligação com juros lá fora — e aqui?

O mercado de criptomoedas também reagiu aos dados de emprego dos EUA, que vieram abaixo do esperado. Isso reduziu a expectativa de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Conforme a ferramenta FedWatch, quase 80% dos participantes acreditam que a taxa será mantida na reunião de 29 de julho. Juros estáveis ou menores nos EUA tendem a favorecer ativos de risco – incluindo Bitcoin – já que tornam o retorno dos títulos públicos americanos menos atrativo.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Para o investidor brasileiro, a curva de juros norte-americana influencia o câmbio e o fluxo de capital estrangeiro. Se o dólar perder força globalmente, pode aliviar pressões sobre a inflação doméstica e abrir espaço para manutenção da Selic no patamar atual. Esses fatores, por tabela, interferem na atratividade relativa entre renda fixa local, Bolsa e criptoativos.

O que acompanhar nos próximos dias

  • Comportamento do BTC na região de US$ 62,6 mil (média de 200 semanas).
  • Fluxo diário nos ETFs à vista de Bitcoin nos EUA.
  • Dados de inflação dos EUA (CPI) que saem antes da reunião do Fed.
  • Taxa de câmbio real/dólar, que afeta o custo de entrada e saída em exchanges locais.
  • Decisões sobre a Selic e sinalizações do Banco Central brasileiro.

Mesmo com a recente recuperação, o histórico recente de segundas-feiras lembra que a volatilidade segue elevada. Para quem opera ou investe no longo prazo, monitorar liquidez, indicadores técnicos importantes e o cenário de juros continua essencial.

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