![Clima pressiona commodities: cacau renova máxima de 7 meses e açúcar encosta em topo de 2 meses 4 [Ações] Clima pressiona commodities: cacau renova máxima de 7 meses e açúcar encosta em topo de 2 meses](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1783597298.jpg)
Os contratos futuros de cacau negociados em Londres encerraram a quarta-feira (8) em alta de 5,3%, a 4.493 libras por tonelada, depois de tocarem 4.613 libras – o pico em sete meses. O movimento reflete o receio de um El Niño classificado pela ONU como “forte”, com possibilidade de ser elevado a “muito forte”, o que tende a reduzir chuvas em partes da África Ocidental, região responsável por cerca de 60% da produção mundial do grão.
O mercado lembra de 2024, quando o fenômeno, então de intensidade moderada, provocou quebra de safra e fez as cotações praticamente triplicarem. Agora, corretores apontam que a Costa do Marfim – maior produtor global – já vendeu antecipadamente boa parte da colheita, reduzindo a oferta disponível para o restante do ano-safra. Com menos lotes aparecendo na ponta vendedora, qualquer notícia climática é suficiente para acelerar compras especulativas.
O açúcar bruto em Nova York chegou a 15,39 ¢/lb, o maior valor em quase dois meses, antes de fechar praticamente estável em 15,11 ¢/lb. A correlação veio da alta do petróleo: preços de energia mais altos elevam a atratividade do etanol, fabricado a partir da cana-de-açúcar, e podem levar usinas a direcionar maior parte da matéria-prima para combustíveis, limitando a produção de açúcar.
No Brasil, essa dinâmica foi reforçada pela expectativa – ainda sem data para decisão – de que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aumente a mistura obrigatória de etanol na gasolina. Segundo a consultoria Czarnikow, o ciclo 2026/27 deve registrar um pequeno déficit global de 600 mil toneladas, o que adiciona sustentação aos preços.
Imagem: Reuters
No mesmo pregão, o arábica caiu 2,5%, a 3,098 ¢/lb, acumulando recuo de quase 12% em dois dias e anulando parte da disparada de 16% vista na segunda-feira. Corretores atribuem o ajuste à entrada de produtores brasileiros, que aproveitam a colheita volumosa para travar preços. O robusta também cedeu 3,4%, para 3.741 US$/t.
Com a temporada de definição de safras no hemisfério Norte e a possibilidade de um El Niño ainda mais severo, a atenção permanece voltada para mapas de clima, reuniões de política energética e a reação dos produtores. Enquanto isso, o investidor que acompanha o agronegócio encontra um mercado de commodities em pleno teste de resistência, marcado por rápidas mudanças de direção – e impactos que vão além das cotações das bolsas internacionais.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.






